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Mostrando postagens de junho, 2007

Lúcia e o Louco

Lúcia o acompanhava com os olhos. Aquela figura estranha, grotesca, quase bruta era tudo o que ela tinha.O louco atirou-lhe uma parte do pão que comia, ela não se moveu. Ficou ali, parada, encolhida sobre as velhas caixas que lhe serviam de cama até então.O cheiro de podridão que impregnava aquele beco chegava a dar náuseas. Faziam semanas que a chuva parara, mas ali, a água estagnada formava poças negras pelos cantos.A atmosfera era de umidade e doença. Um grande tambor de lixo estava revirado a poucos metros da pequena, deixando a mostra todo o tipo de elementos em decomposição.Lúcia era uma menina doente. Na verdade, Lúcia estava morrendo. Ela tinha câncer, antes no cérebro, agora por toda parte, motivo pelo qual fora abandonada ali.Vestígios de tratamento eram tão visíveis quanto os da enfermidade: grandes falhas no couro cabeludo contrastavam com sua forma desnutrida e abatida. Feridas em seu pescoço pareciam cada dia mais profundas assim como se acentuava a palidez em suas faces....