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Mostrando postagens de abril, 2008

FunPlex

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Aos poucos e lentamente (muito apropriado, aliás) eu vou cedendo às maravilhas tecnológicas, não sem um certo receio. Não sei, tenho uma certa dificuldade de permitir que seja algo extremamente natural como amarrar um cadarço solto ou coisa que o valha (Comparação um pouco banal, mas vá lá). Na verdade acontece de uma maneira mais ou menos parecida como quando a embalagem do seu shampoo favorito sofre uma mudança de forma e às vezes de cor. A principio você não gosta, acha ridículo e totalmente desnecessário, encontra falhas argumentos para críticas pouco construtivas mas ao mesmo tempo um bocado sinceras. Passa até a duvidar da eficácia do shampoo, como se a mudança da embalagem influenciasse na sua composição e tudo. É aquela velha história de: 'Pera aí, esse aqui não é o MEU shampoo!' , um troço assim como uma rejeição imediata. Depois de certo tempo (e não precisa, necessariamente, ser tanto tempo assim) você já está habituado a essa nova embalagem e tardiamente chega a fic...

Análise Dramática

Uma vez, há um bocado de tempo já, um amigo comentou-me a respeito de um projeto para um trabalho da faculdade, onde, através de um hotsite determinadas pessoas que gostariam de tornar discutíveis suas idéias e/ou pontos de vista a respeito de assuntos aleatórios, sugeridos de acordo com a aceitação geral em escrever qualquer coisa a respeito, fosse uma história, crônica, passagem, debate, etc e tal teriam oportunidade fazê-lo enviando suas letras para o mesmo. Ele também me disse que o primeiro tema designado seria PODER. Lembrei-me que eu cheguei a escrever alguma coisa a respeito, mas não finalizei por algum motivo que hoje para mim é desconhecido. Há um texto um pouco grande e até bastante criativo, que precisa de uma boa revisão e tudo, mas há também uma análise sarrista que fiz, talvez até por brincadeira e que agora pareceu-me muito conveniente transcrevê-la aqui, integralmente: Poder como palavra . Pode-se partir do próprio significado, seja do substantivo simples: Poder = c...

Controvérsia

Olá. Hoje eu não quero ver ninguém. Oh, meu anjo, queria que pudesses ver, queria mesmo que pudesses sentir. Eu desejo a solidão. Escolho o isolamento total e completo desse mundo ou então, acredito que terei de saltar, você sabe como é. Comprometi-me a um legado de suma importância e agora alego não estar em condições, não possuir as tão necessárias e tais condições. És a única qual compreendo, a única qual compreende, apesar de tudo parecer tão complexo e mesmo paradoxal. Temo estar perturbando-na enquanto aclamo-te com tamanha devoção ou mesmo uma aparente dependência, (digo 'aparente' com convicção, afim de esclarecer que a auto-suficência humana é, para mim, tão plausível quanto a nossa excistência) mas apenas faço-o porque és a única em quem desejo confiar, a única para quem vejo-me capaz de entregar toda e qualquer discrepância existente nos meus pensamentos ou na minha alma. O fato é, meu anjo, que estás morta. sabemos disto. Está morta e receio não ser capaz de ouvir o...

Fritos ou mexidos?

- Porque diabo você está rindo? - Eu não sei! - Não há nada de engraçado nisso! - Não consigo parar! - Querida, eram seis ovos... Fritamos dois na semana passada, acho que na quarta ou na quinta feira e os outros você usou para fazer aquele bolo. - Bem, que seja... - Não, deixe-me explicar. Pare de rir, por favor, estou tentando falar! Um breve silêncio. Aquela cena já fora vista antes, mas não nesse mesmo filme. No cinema as coisas sempre acabam ficando um bocado parecidas. O ar-condicionado devia estar desregulado. Todos estavam congelando nas poltronas. Entre a distorção da luz das imagens, que incidia descompassadamente sobre os rostos e corpos pregados ali, viam-se pêlos eriçados e cotovelos doloridos de frio. Narinas secas e olhos ardendo ligeiramente, mesmo assim nem piscavam. - Como eu ia dizendo... - Eu quero o divórcio. - ... e-eu, é hein? Como assim? - Divórcio. Papéis assinados. Fim do casamento. - Fim do casamento? Por causa dos ovos? - Não ligo para seus ovos... - Eu não ...

Tal qual dizem

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Marilyn Monroe morreu por suicídio. Lê-se em todas as biografias a seu respeito. Às vezes a palavra suicídio vem precedida por hipotético. Às vezes ela vem procedida por acidental. Seria Marilyn Monroe uma verdadeira suicida na concepção contextual? E quanto a Norma Jeane Mortensen ? Hermamnn Hesse em O lobo da estepe escreve através do " Tratado do Lobo da Estepe só para loucos" : "E aqui é necessário esclarecer que não se devem considerar suicidas somente aqueles que se matam. Entre esses há suicidas que só chegaram a ser um mero acaso, e de cuja essência do suicídio não fazem realmente parte. Entre os homens sem personalidade, sem características definidas, sem destino traçado, entre os homens incapazes e amorfos, há muitos que perecem pelo suicídio, sem por isso pertencerem ao tipo dos suicidas, ao passo que há muitos que devem ser considerados suicidas pela própria natureza de seu ser, os quais, talvez a maioria nunca atentaram efetivamente contra a própria vid...

Abigail

Quem eram aqueles rostos nos retratos? Quem era o casal em preto-e-branco que sorria na maioria das fotos presentes? Quem eram as crianças pequeninas vestidas das mais variadas formas e cores? Que eram todos aqueles lugares estranhos, com céus muito azuis e casas muito bonitas? Onde é que estava naquele momento? De quem era aquele tapete sobre seus pés ou mesmo as roupas que estava vestindo? Porque é que havia um silêncio cortante no ar e tantos vasos com plantinhas por todo o quintal? De onde surgiram tantas folhas secas para serem varridas ou mesmo as panelas naquele armário verde claro da cozinha? Como foram colocado aqueles azulejos estampados, formando um mosaico de imagens repetitivas que se condensavam com todas aquelas toalhinhas de tricot e pratos de vidro marrom? Quando é que viera parar ali? Uma moça bonita sentada no sofá da sala, falava ao telefone com alguém que não se podia identificar. Ela parecia preocupada. Um menino corria pelo corredor com um brinquedo nas mãos, um ...