A curto prazo
A maçã sobre a mesa. O casaco vermelho. A xícara de porcelana. O cinzeiro vazio. O calendário na parede anunciava que julho se despedia. No rádio, uma antiga canção conhecida. No céu, o sol embolorado de inverno. Oh, se ela pudesse voltar... Ah, se ela pudesse morrer... Não podia. Não era tarde, mas ficaria. Não era velha, mas ficaria. As coisas tomavam formas, cores, tamanhos... Depois, desapareciam. Engraçado. Ele sumia com aquele vento, ele sumia como suas mãos naqueles bolsos. Será que sumia? Não sabia, mas sentia. Talvez doesse um tantinho, um tantinho só... A velha mania de se apegar às pessoas! Não nascera para gostar de ninguém. Ou nascera? É sempre o ir e vir... O mesmo ir e vir. Droga! Se, ao menos, tivesse tentado... Quem sabe se, com um pouco mais de esforço, com um pouco mais de coragem... Não. De manhã estava frio, frio, tão frio que ela quase desistiu. Eu disse, quase. O metrô lotado, tudo sempre igual. Sempre, a não ser, os rostos. Os rostos estavam sempre mudando, mas ...