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Mostrando postagens de dezembro, 2008

O pranto

Ontem quando estava já bem escuro, ela chorou. Chorou por tudo e por todos. Uma lágrima para cada um deles, uma lágrima para cada dia vivido até então. Um choro longo, longo, longo tão longo que logo amanheceu. Quando o sol já tingia de lilás as paredes do quarto, ela finalmente adormeceu. Mais tarde quando acordou, era uma nova mulher. A nova mulher não pertencia mais a ninguém e também não pertencia nem mais a si mesma: ela pertencia ao mundo e, em troca, o mundo lhe pertencia. Adquirira novos olhos para visualizar esse mundo tão novo e tão seu, e assim sendo, prometeu que jamais encharcaria esses novos olhos com o aguado de um pranto entrecortante numa noite qualquer. E foi o que ela fez.

For Sale - sem ironias

Essa semana estive limpando e tocando alguns LP's antigos e me peguei lendo a divertida introdução do estimado " Beatles For Sale ". Transcrevi-a aqui resumidamente, na íntegra ela é um bocoado extensa demais para o propósito da postagem: "Esse é o quarto LP dos Beatles (...) Beatles For Sale – Os Beatles à venda. Não quer dizer que os Beatles estejam á venda. Mesmo porque, não há dinheiro que pague. Trata-se apenas do LP, e esse você pode comprar. O dinheiro não é tudo. Quando daqui a 20 anos ou mais, uma criança, entendida em música, estiver num pique-nique em Saturno, e lhe perguntar quem eram os Beatles – “Você conheceu a época?” – não tente explicar tudo sobre os cabeludos e sua turbulência! Basta à criança tocar algumas faixas deste LP e logo entenderá tudo. Os jovens do ano 2000 extrairão da música mais sensação de bem-estar e ardor do que sentimos hoje, porque a mágica dos Beatles, desconfio, não tem limite de tempo nem idade. Ela venceu todas as barreiras. A...

Resenhando um estado

Se o amor fosse assim tão volúvel ou mesmo recíproco, não seria uma norma lingüística verbalizá-lo. O amor não seria um sentimento e sim, uma sensação ou até mesmo um estado. Se físico ou psíquico, não importa, o que realmente nos interessa é como o termo deve ser aplicado: ‘em estado de amar’. Todo estado é mutável, é apenas uma maneira de apresentar uma imagem ou coisa que o valha, nem sempre é sincero e quase nunca é verdadeiro. Todo estado é mutável pois está subordinado à exposição que sofre, ou seja, é frágil e influenciável, é destrutível e suscetível ao meio. O amor não tem estado. O amor não nasce e nem morre, ele simplesmente existe. Tudo o que existe é mutável, mas não no caso do amor. O amor não muda, ele se transforma. Mudar é deixar de ser algo para tornar-se outra coisa, é abandonar a formação original e abraçar uma nova composição. Transformar é continuar sendo na essência e apenas adaptar-se às circunstâncias. A diferença pode ser tênue, mas existe e é plausível. O que...