Dois e o exílio
-Nós não podemos mais ficar aqui. -Eu não vou sair. -Mas, Augusto... -Clarice, entenda... -Não há nada o que entender! E realmente não havia. Clarice já perdera as esperanças. Augusto também, porém ele procurava alimentar a idéia da falsa base que eles fingiam ter. Ele ainda acreditava. -Você não me ama mais? Clarice estava pálida. Um curativo em sua sobrancelha procurava estancar o sangue do ferimento ainda recente. -São tantos horrores, Augusto, tanta coisa. Em tempos assim, já não há mais espaço para o amor. Uma contração nos lábios caracterizava sua face magra, quase bela. Procurou encarar o homem atônito à sua frente. Grandes olhos castanhos perdiam-se em fundas olheiras. Os cabelos revoltos eram tudo o que restara do que já fora Augusto. Ela lembrava como era, enevoadamente, mas lembrava. Se fizesse algum esforço, ela quase conseguia sentir como era tê-lo amado. Talvez se não houvessem fugido tanto... -Sabe, - ele procurou começar com uma voz arrastada - às vezes... às vezes você...