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Mostrando postagens de maio, 2007

Dois e o exílio

-Nós não podemos mais ficar aqui. -Eu não vou sair. -Mas, Augusto... -Clarice, entenda... -Não há nada o que entender! E realmente não havia. Clarice já perdera as esperanças. Augusto também, porém ele procurava alimentar a idéia da falsa base que eles fingiam ter. Ele ainda acreditava. -Você não me ama mais? Clarice estava pálida. Um curativo em sua sobrancelha procurava estancar o sangue do ferimento ainda recente. -São tantos horrores, Augusto, tanta coisa. Em tempos assim, já não há mais espaço para o amor. Uma contração nos lábios caracterizava sua face magra, quase bela. Procurou encarar o homem atônito à sua frente. Grandes olhos castanhos perdiam-se em fundas olheiras. Os cabelos revoltos eram tudo o que restara do que já fora Augusto. Ela lembrava como era, enevoadamente, mas lembrava. Se fizesse algum esforço, ela quase conseguia sentir como era tê-lo amado. Talvez se não houvessem fugido tanto... -Sabe, - ele procurou começar com uma voz arrastada - às vezes... às vezes você...

O fim, afinal.

O fim é na realidade o começo. Há quem tenha suas dúvidas, mas, não há muito que fazer. O fim de um sonho é o começo de uma nova estratégia. O fim de uma etapa é o começo de uma nova escolha. O fim do espetáculo é o começo dos aplausos. Tudo é muito pessoal, mas é bem visível. E todos foram como bolhas de sabão, sem exceções. Brilhantes, mas frágeis, foram sendo moldadas com dedicação, criatividade. Primeiro, mantinham-se presas umas às outras, formando uma unidade. Aos poucos tomaram forma, desenvolveram-se, ganharam leveza. Cada uma a seu tempo. Alcançaram novos planos. Flutuaram. E então, foi como uma grande dança. Tornou-se orgânico, mágico, único, palpável. Agora, estouram. Respingam seu talento por todos os lados, para todas as direções, buscando atingir as maiores distâncias, abranger os maiores espaços a fim de encontrar outros ares. O que eram, não voltarão a ser. Novas fases. Ficam na memória de alguns, esquecimento de outros. Os que estiveram, viram. O fim dessa temporada é ...

Plaquinhas que emplacam

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Dando continuidade ao seguimento de fotos de placas um tanto quanto fora do comum. Essa encontrei em Paranapiacaba. Tinha um senhor por lá que ia e vinha pela rua procurando desabaladamente pelo 45º local para se estacionar... Mais um artigo de Paranapiacaba... Essa é uma questão de mera interpretação. O dono do ferrorama ficou irritadíssimo quando uns garotos vestidos de branco e usando chapéus ali entraram armados de alguns pedaços de pau, muito animados para começar a detonação. Algumas pessoas ficaram indignadas com a falta de tato da placa, talvez se fosse um singelo "daneomodelismo" teria menos impacto. Esta última é obra da lojinha intitulada "Pet shop" perto de minha casa. Eu digo intitulada, pois o que realmente parece ser é uma grande mercearia, considerando os artigos que podem lá ser encontrados. 3,00? Puxa, que jóia! Eu estava mesmo precisando... afinal a passagem aumentou... Sem mais por hora.

O segredo de Gabriele

Sentada no degrau de entrada do portão de sua casa, Julia tinha o queixo apoiado sobre os punhos fechados e o olhar voltado para a movimentação do outro lado da rua. Gabriele descia da moto de Augusto e entrava pela porta da sala de sua casa jogando um beijo com os dedos, o capacete embaixo do braço esquerdo. Qual seria o segredo daquela mulher? Julia suspirou. Com certeza não deveria ser algo do nível de entendimento de uma garota de 12 anos. Gabriele era tudo o que Julia jamais seria, pelo menos por enquanto. Deliberadamente encantadora e inteligente, feliz. Uma mulher independente, diferente, especial. Não levava uma vida fora do comum, pelo contrário, trabalhava em alguma loja nalgum shopping no centro da cidade, estudava para ser uma arquiteta durante a noite e nas horas de folga dedicava seu tempo às artes plásticas. Julia jamais vira nenhum quadro ou escultura feitos por Gabriele, mas ouvira dizer que era dotada de grande talento. O que mais a fascinava, era o modo com que Gabri...