Quando eu era menino (parte I)
Ainda lembro com certa saudade dos passos firmes de meu pai no velho e barulhento assoalho da casa. Lembro de minha mãe em suas saias de cetim estendendo os lençóis no varal num dia quente de verão. Lembro dos cães deitados no gramado bem cuidado do jardim enquanto o dia morria num fim de tarde ensolarado. Mesmo que fosse grande e vazio, o velho casarão onde morávamos parecia aconchegante e familiar, à mim e meu irmão Heitor. Podíamos correr pelos corredores do segundo andar contanto que não sujássemos os tapetes que mamãe lavava com tanta resignação, por isso, brincávamos descalços. Mamãe era jovem e linda. Das vagas lembranças que me surgem, estava sempre em silencio, trabalhando e cuidando daquela casa imensa. Na verdade, não me recordo muito de sua voz, ela parecia estar sempre calada, até mesmo quando ria. A não ser é claro quando ela cantava. Nem um anjo seria capaz de cantar como minha mãe cantava. Os seus lábios pareciam beijar cada palavra que por eles era pronunciada e seus o...