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Mostrando postagens de novembro, 2007

Cine 52 - Capítulo II

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Eliza era uma moça inquietante. Gostava de cinema, queijadinha e rosas brancas. Detestava cozinhar, bordar e dias frios. Sabia tocar piano, dançar tango e contar piadas. Era a caçula de uma família fragmentada. Tudo o que tinha da mãe, era uma foto antiga, um par de luvas e um chapéu. Só. Fora criada pelo pai, Francisco, ao lado dos irmãos João Rafael, que servia a Marinha e Cássio, que se mudara para o interior do Rio Grande do Sul depois do casamento. Quando criança aprendeu cedo como devia se comportar uma menina numa casa com apenas homens. Não que a relação estabelecida entre ela e o pai fosse problemática, era simplesmente inexistente. Francisco era um homem genioso, sempre fora, e após a morte da esposa, no nascimento de Eliza, entregou-se a um mundo cruel de sofrimento silencioso que refletia em sua postura austera e rígida. Existem pessoas que escolhem viver para sofrer, apegam-se às suas dores e deixam-nas consumirem seus dias. Outras sofrem para viver, procuram de todas as f...

Diálogos de verdade

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"Que horas são?" O palco. Um último aquecimento. Troca de olhares. Algumas palhaçadas. Mais palhaçadas. Outras palhaçadas. Foi-se: Falsos Diálogos viu a luz da ribalta uma última vez. Desde a concepção cenográfica, o desenvolvimento do texto, a pesquisa literária, busca pela sonoplastia, preocupação com a poesia contida nas obras abordadas, criação dos figurinos, busca por patrocínio, compra de materiais e expectativas em relação ao trabalho, até o dia de hoje tudo o que conseguimos ver com clareza é o elo de ligação criado entre essas mulheres. Sem querer, brincamos de entrelaçar a vida de personagens e, no final das contas, acabamos entrelaçando nossas próprias vidas com uma amizade que tem muito mais do que convivência e cumplicidade. Depois de cerca de nove meses de trabalho, foi no sábado às 18h00 que nos despedimos daquilo que se transformou em mais do que o pretexto de nossos encontros, mas no enredo de nosso cotidiano. O que a princípio pareceu loucura, uma salada...

Cine 52 - Capítulo I

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Carlos conferia as horas em intervalos de um e três minutos. A chuva torrencial lavava a grande Avenida e o cruzamento logo à frente, obrigando as pessoas a andarem armadas com grandes guarda-chuvas escuros e darem passos apressados no concreto escorregadio. Carros e táxis encostavam a partiam próximos ao quarteirão do complexo, dezenas de moças falantes e rapazes bem vestidos iam e vinham empolgados com mais uma noite de sexta-feira, apesar de chuvosa. Eliza estava atrasada. Carlos olhou o relógio mais duas vezes antes de acender outro cigarro. No braço direito o paletó úmido da chuva, na cabeça o chapéu Panamá característico daqueles velhos dias. O barulho da água escorrendo por entre bueiros e sarjetas o angustiava, a noite se esvaia junto à água, novembro estava morrendo. O carro parou rente à guia da calçada, Eliza desejou que não estivesse chovendo tanto, saltou apressada pela porta traseira e jogou o dinheiro da corrida pelo vidro da janela. O motorista agradeceu com um aceno de...

Planeta Terra

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Bom, não poderia deixar passar a oportunidade de destacar algumas impressões bastante relevantes (ou não) em relação ao evento. Em relação ao Tim Festival, que aconteceu no dia 28 de outubro, definitivamente a organização do Planeta Terra agiu como uma patada no primeiro. (Planeta Terra 20x0) . O Datarock finalizou o show tocando a músical final de Dirty Dancing (aposto o que quiserem que poucos vão se lembrar do nome dessa música se estiverem sem recursos de pesquisa, e aposto mais ainda que exista alguém que não saiba sibilar o refrão) o que foi uma tirada bastante engraçada dadas as performances que eles elaboraram no decorrer do show. O show do CSS foi um dos mais agradáveis que tive a oportunidade de assistir. Já fazia algum tempo que não davam as caras por aqui e foi bastante interessante o carisma demonstrado. Digamos que a Lovefoxx tentou drasticamente ser uma 'Bjorkiana' do Rock and Roll, mas não passou de uma tentativa frustrada, convenhamos que aquele colant de lante...

Ubu Rei

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Um carnaval de horrores. Informação desnecessária: desliguem celulares, bipes e marca passos. Informação necessária: essa peça não tem nexo. No teatro dizemos MERDA, aqui diremos: MERDRA ! Gonzales, Tati, Roberto, Fernanda, Bárbara, Tati Zava... Do caralho, sempre.

Simetrias

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Memorial do Imigrante - Exposição em setembro/2007 Longe, longe, longe, longe, longe gritava. Pranto cruel, sufocante, doentio. Onde está? A alegria dissolvida na monotonia turva, adoçada com virtudes que não se podem ver. Taças de cristal ricamente adornadas pelo linho da toalha branca, a mancha vermelha crescia lasciva, obscena, violenta. O vinho se espalhava, absorvia, impregnava, quase parecia uma flor. Mãos de marfim que buscam sustento, olhos andrógenos que procuram reflexos em espelhos, medos, anseios. Lábios rubros em falsas formas, feridos superficialmente, apodrecendo misteriosamente, emoldurando cantos fúnebres acorrentados. Estupida razão, grotesca ilusão, sonhos desajustados. Moinhos de vento que destróem, esperança que corrompe. Morre, morre bela santa, morre afogada em lágrimas de sangue que escorrem sem cessar. Sangue feito vinho, vinho feito flor que suja o linho, a alma e a fé. Idéias cruéis, presságios de insanidade, falta de concordância. Fotografias, maquinário da ...