Cine 52 - Capítulo II
Eliza era uma moça inquietante. Gostava de cinema, queijadinha e rosas brancas. Detestava cozinhar, bordar e dias frios. Sabia tocar piano, dançar tango e contar piadas. Era a caçula de uma família fragmentada. Tudo o que tinha da mãe, era uma foto antiga, um par de luvas e um chapéu. Só. Fora criada pelo pai, Francisco, ao lado dos irmãos João Rafael, que servia a Marinha e Cássio, que se mudara para o interior do Rio Grande do Sul depois do casamento. Quando criança aprendeu cedo como devia se comportar uma menina numa casa com apenas homens. Não que a relação estabelecida entre ela e o pai fosse problemática, era simplesmente inexistente. Francisco era um homem genioso, sempre fora, e após a morte da esposa, no nascimento de Eliza, entregou-se a um mundo cruel de sofrimento silencioso que refletia em sua postura austera e rígida. Existem pessoas que escolhem viver para sofrer, apegam-se às suas dores e deixam-nas consumirem seus dias. Outras sofrem para viver, procuram de todas as f...