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Mostrando postagens de 2007

Paçoca de Quindim da Iáiá

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M inha mãe estava fazendo mousse de chocolate para a festa do Ano Novo de amanhã quando percebeu que, devido à grande quantidade de ' clara em neve' necessária (sempre achei engraçado o termo 'clara em neve' ), haveria uma grande quantidade de gemas que não teriam uso. Surgiu então a idéia de fazer-se um daqueles quindins gigantes. Encontramos uma receita bacanuda na internet e foi alegria geral. Não seria a primeira experiência, já haviamos feito antes e pelo que lembrávamos, tinha ficado bastante gostoso. Possivelmente seria alguma coisa assim: Nos últimos dias, desde a descoberta do 'estado interessante' de Pícia, coisas bastante proveitosas têm acontecido como, por exemplo, a leve confusão nas Lojas Americanas que teve como pivô, o preço dos DVD's faltantes para a coleção do Hitchcock . Os preços ambíguos e a desorganização da loja em época de fim de ano, literalmente, nos deram grande oportunidade de atormentar ainda mais os vendedores altamente sobr...

Fim de Natal.

Vamos lá, pessoal! Temos pouco mais de algumas horas para fazer cara feia, abraçar a hipocrisia de que todo mundo é hipócrita e também a falsa realidade de que o espírito de natal morreu. É a hora de pensar nos altos níveis de gordura trans que ingerimos e ficar com peso na consciência até o ano novo. Tá na hora de chamar o Papai Noel de capitalista e jogar aos quatro ventos que tudo não passa de uma festa consumista. Vamos ficar horrorizados com os gastos com energia elétrica, reclamar da sujeira que a comemoração deixou no carpete da sala e nos revoltar contra o cinismo do resto da população em relação aos pobres. Eba! Falar baixinho pelos cantos que a Titia chata só quis que todos aparecessem na casa dela para exibir a nova reforma. Torcer o nariz pela falta de originalidade nos cumprimentos, alimentar decepção devido ao presente que não foi ganho, afinal é só isso que importa ora bolas! Vamos reclamar que estamos com fome e é um porre ter que esperar a porcaria da família e todo o ...

Cine 52 - Capítulo III

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Naquela noite, Carlos não dormiu. A chuva torrencial ainda estava forte quando os primeiros raios de sol perfuraram a escuridão do quarto. Eliza respirava profundamente, mergulhada em um sono sem sonhos, fruto do cansaçõ das emoções da noite anterior. Carlos levantou-se tomando cuidado para não despertá-la, vestiu-se e saiu de casa sem tomar café. As ruas parcialmente desertas contavam com alguns passos sonolentos que iam e vinham para o trabalho. Carlos desceu a rua até a banca de jornal, constatou que ainda estava fechada. Não tinha idéia de que horas seriam, mas sabia que não tardaria para o velho senhor dono da banca aparecer com as novas edições da manhã. Carlos queria estar lá, queria ser o primeiro a procurar em todos os jornais qualquer notícia a respeito do que acontecera, afinal era motivo para primeira página toda aquela confusão. Quase conseguia adivinhar o que seria, linhas largas com letras grandes: Misterioso Acidente no Cinema, ou qualquer coisas que valesse a intenção....

Os terríveis comedores de cabeças

Noite passada tive um sonho aterrorizante. Sempre que estou doente sou vítima dessas quase alucinações que o sono prega. Estava andando por uma rua deserta, por volta da hora do almoço, fazia um sol de meio dia e eu estava com fome quando me aproximei de uma casa bastante bonita, onde um grupo de jovens esperava na porta. Nenhum deles eu conhecia, todos frutos da historinha do meu cérebro. Havia um rapaz loiro que usava óculos, um outro rapaz de cabelos amendoados, um negro, uma garota morena com cabelos bem cheios e uma ruiva com cabelos muito longos. Eles me olharam de uma maneira bastante perturbadora e eu, não sei por que diabos me aproximei. Foi o rapaz loiro quem falou: "Você veio para almoçar? Nós acabamos de comer, mas acho que ninguém se importará se tiver que fazê-lo novamente”. Ele convidou-me a entrar e eu pude sentir ali quase que uma ameaça, portanto, não hesitei em entrar.A casa estava escura e fria, mas não era nenhum pouco assustadora. Era simplesmente uma casa mu...

Crueldade

“Uma manhã você esquece. Acorda cruel.” Nicole matutava concentrada nos desenhos que fazia. O novo projeto era o que tomava-lhe a maior parte do tempo, de modo que Beatriz tornara-se um hiato condensado em telefonemas e almoços rápidos onde se resmungava muito e conversava muito pouco. A frieza de Beatriz sempre fora incontestável, mas era também sua maior fraqueza e agora, mostrava-se estranhamente modificada. A indiferença de Nicole assustava-a de maneira quase gritante. Era como se, aqueles olhos carregassem estampado o maior temor de Beatriz: a auto-suficiência de Nicole. Beatriz não podia suportar a idéia de que Nicole poderia muito bem ser feliz acaso um dia viessem a separar-se. Nicole fora aquela que sempre representara o lado frágil da relação, que sempre carregara a submissão toscamente evidente, e agora passava a perna em Beatriz. A queda era grande. Naquela manhã, Nicole não tomara café e tampouco almoçara, a confusão em suas entranhas saciava qualquer necessidade fisiológi...

"Que tal um beijo, saumensch?"

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Terminei na madrugada de ontem, ‘A menina que roubava livros’. Já fazia um bom tempo que um livro ‘das paradas’ não conseguia convencer-me de seu mérito. Eis um vencedor. A grandeza da leitura está, não no fato de que uma história sobre a Segunda Guerra Mundial sempre vai estar abordando fatos de que, acima de tudo, a vida é muito mais bela do que se pode imaginar e as dificuldades enfrentadas nos anos de 1940 a 1945, propriamente ditos, jamais poderão ser igualadas àquelas que vivenciamos nos dias atuais ou coisa que o valha... Não, a grandeza de 'A menina que roubava livros' está presente em como o autor consegue justificar que a morte pode ser, sem sombra de dúvidas, adorável. Não posso negar que o livro não deixa de ser tocante, dada a narração da vida de Liesel Meminger e tudo aquilo inserido no universo imposto à ela, uma menina órfã numa Alemanha Nazista, mas ele passa longe do moralismo contido em histórias que carregam alguma chamada ‘lição de vida’, por mais que pequ...

Pré-potência

Um mar de cabeças a minha frente. Olhares furtivos, curiosos, mãos entrelaçadas. Garotas fingindo serem mulheres. Mulheres fingindo serem garotas. Rapazes solitários que não demonstram preocupação. Rapazes preocupados demonstrando solidão. Risos, gritos, braços e abraços, truques e confusões. Bolsas coloridas, pequenas, bonitas, feias, grandes, esquecidas. Celulares, fones de ouvido, toda aquela sonoridade camuflada combinada com luzes artificiais e ar condicionado. Um quase antro de depravação, uma extorsão do respeito ao ser humano. Relógios, horários, problemas, dinheiro, soluções. Imaginação, indignação, expectativa, dúvida e convicção. Nomes, renomes. Encontros, desencontros. Atraso, espera, vozes, cores, pedidos, esperanças. Comentários obtusos, palavras vazias, colocações mal fundamentadas. Má interpretação, bons equívocos, mudança de planos. Sarcasmo, euforia e tédio. Um contrabando de informações, questionamentos vagos, passagens inocentes, pseudo-intelectualismo. Reclamações,...

Cine 52 - Capítulo II

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Eliza era uma moça inquietante. Gostava de cinema, queijadinha e rosas brancas. Detestava cozinhar, bordar e dias frios. Sabia tocar piano, dançar tango e contar piadas. Era a caçula de uma família fragmentada. Tudo o que tinha da mãe, era uma foto antiga, um par de luvas e um chapéu. Só. Fora criada pelo pai, Francisco, ao lado dos irmãos João Rafael, que servia a Marinha e Cássio, que se mudara para o interior do Rio Grande do Sul depois do casamento. Quando criança aprendeu cedo como devia se comportar uma menina numa casa com apenas homens. Não que a relação estabelecida entre ela e o pai fosse problemática, era simplesmente inexistente. Francisco era um homem genioso, sempre fora, e após a morte da esposa, no nascimento de Eliza, entregou-se a um mundo cruel de sofrimento silencioso que refletia em sua postura austera e rígida. Existem pessoas que escolhem viver para sofrer, apegam-se às suas dores e deixam-nas consumirem seus dias. Outras sofrem para viver, procuram de todas as f...

Diálogos de verdade

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"Que horas são?" O palco. Um último aquecimento. Troca de olhares. Algumas palhaçadas. Mais palhaçadas. Outras palhaçadas. Foi-se: Falsos Diálogos viu a luz da ribalta uma última vez. Desde a concepção cenográfica, o desenvolvimento do texto, a pesquisa literária, busca pela sonoplastia, preocupação com a poesia contida nas obras abordadas, criação dos figurinos, busca por patrocínio, compra de materiais e expectativas em relação ao trabalho, até o dia de hoje tudo o que conseguimos ver com clareza é o elo de ligação criado entre essas mulheres. Sem querer, brincamos de entrelaçar a vida de personagens e, no final das contas, acabamos entrelaçando nossas próprias vidas com uma amizade que tem muito mais do que convivência e cumplicidade. Depois de cerca de nove meses de trabalho, foi no sábado às 18h00 que nos despedimos daquilo que se transformou em mais do que o pretexto de nossos encontros, mas no enredo de nosso cotidiano. O que a princípio pareceu loucura, uma salada...

Cine 52 - Capítulo I

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Carlos conferia as horas em intervalos de um e três minutos. A chuva torrencial lavava a grande Avenida e o cruzamento logo à frente, obrigando as pessoas a andarem armadas com grandes guarda-chuvas escuros e darem passos apressados no concreto escorregadio. Carros e táxis encostavam a partiam próximos ao quarteirão do complexo, dezenas de moças falantes e rapazes bem vestidos iam e vinham empolgados com mais uma noite de sexta-feira, apesar de chuvosa. Eliza estava atrasada. Carlos olhou o relógio mais duas vezes antes de acender outro cigarro. No braço direito o paletó úmido da chuva, na cabeça o chapéu Panamá característico daqueles velhos dias. O barulho da água escorrendo por entre bueiros e sarjetas o angustiava, a noite se esvaia junto à água, novembro estava morrendo. O carro parou rente à guia da calçada, Eliza desejou que não estivesse chovendo tanto, saltou apressada pela porta traseira e jogou o dinheiro da corrida pelo vidro da janela. O motorista agradeceu com um aceno de...

Planeta Terra

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Bom, não poderia deixar passar a oportunidade de destacar algumas impressões bastante relevantes (ou não) em relação ao evento. Em relação ao Tim Festival, que aconteceu no dia 28 de outubro, definitivamente a organização do Planeta Terra agiu como uma patada no primeiro. (Planeta Terra 20x0) . O Datarock finalizou o show tocando a músical final de Dirty Dancing (aposto o que quiserem que poucos vão se lembrar do nome dessa música se estiverem sem recursos de pesquisa, e aposto mais ainda que exista alguém que não saiba sibilar o refrão) o que foi uma tirada bastante engraçada dadas as performances que eles elaboraram no decorrer do show. O show do CSS foi um dos mais agradáveis que tive a oportunidade de assistir. Já fazia algum tempo que não davam as caras por aqui e foi bastante interessante o carisma demonstrado. Digamos que a Lovefoxx tentou drasticamente ser uma 'Bjorkiana' do Rock and Roll, mas não passou de uma tentativa frustrada, convenhamos que aquele colant de lante...

Ubu Rei

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Um carnaval de horrores. Informação desnecessária: desliguem celulares, bipes e marca passos. Informação necessária: essa peça não tem nexo. No teatro dizemos MERDA, aqui diremos: MERDRA ! Gonzales, Tati, Roberto, Fernanda, Bárbara, Tati Zava... Do caralho, sempre.

Simetrias

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Memorial do Imigrante - Exposição em setembro/2007 Longe, longe, longe, longe, longe gritava. Pranto cruel, sufocante, doentio. Onde está? A alegria dissolvida na monotonia turva, adoçada com virtudes que não se podem ver. Taças de cristal ricamente adornadas pelo linho da toalha branca, a mancha vermelha crescia lasciva, obscena, violenta. O vinho se espalhava, absorvia, impregnava, quase parecia uma flor. Mãos de marfim que buscam sustento, olhos andrógenos que procuram reflexos em espelhos, medos, anseios. Lábios rubros em falsas formas, feridos superficialmente, apodrecendo misteriosamente, emoldurando cantos fúnebres acorrentados. Estupida razão, grotesca ilusão, sonhos desajustados. Moinhos de vento que destróem, esperança que corrompe. Morre, morre bela santa, morre afogada em lágrimas de sangue que escorrem sem cessar. Sangue feito vinho, vinho feito flor que suja o linho, a alma e a fé. Idéias cruéis, presságios de insanidade, falta de concordância. Fotografias, maquinário da ...

Dia das Crianças

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Branca de Neve fez uma boquinha enquanto os sete anões jogavam vôley. Chiquinha teve dificuldades com o cabelo, princesa preferiu não se habilitar. Não nos importa se o contexto é religioso ou apenas comercial, como todos os anos, é uma data oportuna para realizarmos qualquer tipo de coisa com algum sentido nostálgico mas que seja, pelo menos, divertido. Não foi difícil saber onde ir ou o que fazer, de um modo ou de outro, estamos ficando craques no assunto.

Falsos Diálogos

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Cinco mulheres em cena. Cinco mulheres de vidas tão diferentes. Sejam personagens, sejam atrizes. Um processo que cada vez mais transforma as preocupações, insônias, discussões e problemas, em bagunça. Seja no fato de que trinta metros de tecido pesam o suficiente para causar cãimbras, óleo de peroba nunca é um assunto muito interessante, tinta "shyro inu" não é a melhor opção e falta de comunicação é algo bastante grave, confiar no pouco intelecto atístico de alguns pode ser decepcionante ou coisa que o valha... Não importa mais. A convivência tornou-se mais essêncial que o próprio entendimento. Às vezes quando as raias do inaceitável nos rondam, encontramos a tal da segunda bateria e tudo explode em acordes bem bolados em qualquer amplificador emprestado. Sabe como são essas coisas, demoram a surgir, levam tempo a se firmar e quando estréiam se eternizam. Ok, gatinhas, com ou sem o Mágico de Oz, cali a boquí.

Suplícios de Capitu

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A angústia que me dominava era aterradora, inexplicável. Aquela lembrança me estremecia, causava vertigem. Vertigem essa, que se principiava não no sentimento concreto, mas na acentuação da dúvida. Talvez fosse a vertigem do imaginário do plano. Se assim se passasse, era esperança. Qual a diferença entre esperança e expectativa? Esperança existe ou não existe. Expectativa se cria. Eis tudo. A vertigem era, então, conseqüência da fusão entre ambas, que resultava na angústia. Ironia. Na verdade, lógica. O resultado era um vazio, afinal. As coisas estavam pálidas, opacas, cruéis. O ar estava quente, sufocante, bruto. Tudo em função da lembrança, de imagem, da pessoa. Era como se o mundo girasse, mecânica e ordinariamente de modo que não haveria muito que fazer, senão aceitar. Deslocamento era o que eu sentia e não existiam motivos. Poderia algo tão simples tornar-se tão perturbador? Voltei a dizer: era a dúvida. A vertigem se evidenciava como um som estridente e tribal que aos poucos entr...

Cacos e Restos

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Espectros de Oswaldo (César Augusto) e Dilma (Marta Troiano) Há algumas semanas, finalmente tive tempo para fotografar esse espetáculo. Em cartaz no Teatro Hamlet (Escola Nacional de Teatro) há cerca de 2 meses, terminou a temporada nesse sábado dia 29. Plínio Marcos nunca deixa a desejar no dinamismo de seus temas carregados. Essa adapatação de "O Abajur Lilás" ficou fantástica, não só pelo excelente trabalho da direção, mas também pelo carisma e envolvimento do elenco. Fiz uma seleção (injusta) das fotos no Baltazar. www.flickr.com/photos/baltazaroparaguaio Foi com pesar que não pude estar presente na última apresentação, mas tenho certeza de que foi um estouro como todas as outras. É bastante difícil encontrar um grupo cuja afinidade e comprometimento com o trabalho é tão presente como aconteceu no elenco de Cacos e Restos. Deixo as minhas mais sinceras congratulações pela força de vontade, presença de palco e entrega à proposta. Depois que o cenário foi desmontado uma ú...

Homofobia

Comentávamos sobre o filme "Minha vida em cor-de-rosa" de Alain Berliner, muito bom por sinal, e a dificuldade que as pessoas têm para aceitar e enxergar o homossexualismo com naturalidade. Não que isso tenha muita ligação com o filme de Berliner, Minha vida em cor-de-rosa, ao meu ver, aborda muito mais do que simplesmente a rejeição sofrida por homossexuais, mas trata-se da história de um garoto que vive uma realidade de acordo com o universo que lhe foi imposto. Ludovic pode não ser homossexual, mas sua criação como uma menina instigou-lhe um modo de comportamento tão contrário a sua natureza que acabou por tornar-se sua única natureza. Chega a ser próximo da personalidade inquietante de Alex Delarge em Laranja Mecânica (com a licença de Burguess para realizar a comparação), onde Alex não pode ser considerado uma boa ou má pessoa pelos seus atos e pensamentos, uma vez que, o universo que lhe foi imposto é o expoente da corrupção que existe dentro do mesmo. A pureza de um se...

A volta do Capitão Gancho

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Robin Williams deitado sobre a casinha de bonecas e Júlia Roberts sapateando pela gola de sua camisa branca. Para mim sempre foi aí que começa a mágica da história. Peter Pan sempre foi a minha história preferida e até hoje não consigo deixar de ficar indignada quando percebo não ser a das outras pessoas... O que poderia haver de mais completo? O adorável garoto que não quer crescer, cujas idéias e pensamentos fascinantes são capazes de conseguirem envolver qualquer coração ausente de alegria infantil. O terrível pirata velho, que atormenta e faz valer a pena a vida de todos os meninos perdidos com seu navio de 30 canhões, capaz de fazer 60 nós a todo pano. A mocinha ingênua, contadora de histórias, que se vê junto de seus dois irmãos mais novos, embarcando em uma aventura que vai além dos sonhos e das estrelas. Já li todas as versões possíveis que foram escritas sobre essa história. Desde a obra integral e original de J. M. Barrie, bem como a continuação intitulada Peter Pan Escarlate...

Moldura

Uma atrás da outra, foi removendo as antigas fichas do arquivo e reempilhando-as sobre a mesa. Um cheiro forte de mofo invadiu-lhe as narinas ao fazê-lo, recuou por alguns instantes, respirou fundo e continuou a procurar. Dados e mais dados de muita gente. Gente velha. Gente nova. Gente importante. Gente ordinária. Todos resumidos ali, algumas linhas preenchidas e pequenas fotos anexadas. Era triste, definitivamente era bastante triste olhar a tudo aquilo. Luíza demorou-se em uma ou outra ficha e desistiu. Seria impossível encontrar o que procurava, estava tudo muito desorganizado. Resolveu, então, começar tudo novamente. Por onde andariam todos aqueles rostos estranhos? Seriam todas aquelas informações, ainda verdadeiras? Nem a metade, já fazia muitos anos. Sentou-se na cadeira atrás da grande pilha de nomes e afins. O que buscava? Nem ela conseguia compreender. Valores e mais valores, longos contratos, floreios e assinaturas. Muita coisa ali já valera uma fortuna, hoje não era muito ...