Clandestinas
Hoje, voltando pra casa, fiquei um tempão pensando naquele tempo. No tempo das grandes descobertas e mutações. No tempo em que tudo era intenso, irreversível, efêmero. Quando, em noites como esta ou qualquer outra, íamos sem medo ou receio, pra qualquer lugar, pra todos os lugares (e sem dinheiro também!). Se eu dissesse: "Quero conhecer a Lua!" você dava um jeito de conseguir uma passagem. Se você dissesse, quero pintar o céu de amarelo, eu roubava o maior pincel que encontrasse. E assim a gente ia. Nos tortos e direitos de nossa vida adolescente, sem hora marcada pra sair, sem dia certo pra voltar. Íamos intensas e glamorosas... Muitas vezes sem trocar de roupa! Éramos as verdadeiras estrelas no abismo do espaço. Fiquei pensando em quantas vezes fizemos tudo com uma discrição de gângsteres, mais sutis que matadoras de aluguel... E todas as vezes que causamos o furor de parar o mundo, nem que fosse por um milésimo de segundo. Quando descemos aquele tapete vermelho, vaporosas...