Quando eu era menino (última parte)
Observei com certa sensibilidade aquela minha situação. O pequeno e caro café que havia acabado de tomar por quatro dólares, o interessante chocolate mentolado que o acompanhara e o maravilhoso cigarro que precedera á ambos foram sem duvidas as melhores escolhas para a satisfação dos meus desejos até então. Apesar da interferência sonora causada pela infinidade de carros e pessoas e vozes e passos e celulares ali atuantes , eu podia sentir e ouvir o som do vento que corria gélido esvoaçando árvores e cachecóis. No céu, a lua em C parecia sorrir para mim, para mim apenas. Dividindo com ela o cor-de-rosa do crepúsculo , algumas estrelas convencidas que lutavam para imporem seu brilho distante ao céu ainda claro de poente. Apesar do peso dos pacotes e das responsabilidades, eu me sentia leve e se o vento fosse mais ameno, poderia me imaginar flutuar sobre os fios e calçadas daquele mundo de concreto e luzes que era Nova York. Já não sentia mais saudades de casa ou de qualquer nostalg...