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Mostrando postagens de dezembro, 2007

Paçoca de Quindim da Iáiá

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M inha mãe estava fazendo mousse de chocolate para a festa do Ano Novo de amanhã quando percebeu que, devido à grande quantidade de ' clara em neve' necessária (sempre achei engraçado o termo 'clara em neve' ), haveria uma grande quantidade de gemas que não teriam uso. Surgiu então a idéia de fazer-se um daqueles quindins gigantes. Encontramos uma receita bacanuda na internet e foi alegria geral. Não seria a primeira experiência, já haviamos feito antes e pelo que lembrávamos, tinha ficado bastante gostoso. Possivelmente seria alguma coisa assim: Nos últimos dias, desde a descoberta do 'estado interessante' de Pícia, coisas bastante proveitosas têm acontecido como, por exemplo, a leve confusão nas Lojas Americanas que teve como pivô, o preço dos DVD's faltantes para a coleção do Hitchcock . Os preços ambíguos e a desorganização da loja em época de fim de ano, literalmente, nos deram grande oportunidade de atormentar ainda mais os vendedores altamente sobr...

Fim de Natal.

Vamos lá, pessoal! Temos pouco mais de algumas horas para fazer cara feia, abraçar a hipocrisia de que todo mundo é hipócrita e também a falsa realidade de que o espírito de natal morreu. É a hora de pensar nos altos níveis de gordura trans que ingerimos e ficar com peso na consciência até o ano novo. Tá na hora de chamar o Papai Noel de capitalista e jogar aos quatro ventos que tudo não passa de uma festa consumista. Vamos ficar horrorizados com os gastos com energia elétrica, reclamar da sujeira que a comemoração deixou no carpete da sala e nos revoltar contra o cinismo do resto da população em relação aos pobres. Eba! Falar baixinho pelos cantos que a Titia chata só quis que todos aparecessem na casa dela para exibir a nova reforma. Torcer o nariz pela falta de originalidade nos cumprimentos, alimentar decepção devido ao presente que não foi ganho, afinal é só isso que importa ora bolas! Vamos reclamar que estamos com fome e é um porre ter que esperar a porcaria da família e todo o ...

Cine 52 - Capítulo III

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Naquela noite, Carlos não dormiu. A chuva torrencial ainda estava forte quando os primeiros raios de sol perfuraram a escuridão do quarto. Eliza respirava profundamente, mergulhada em um sono sem sonhos, fruto do cansaçõ das emoções da noite anterior. Carlos levantou-se tomando cuidado para não despertá-la, vestiu-se e saiu de casa sem tomar café. As ruas parcialmente desertas contavam com alguns passos sonolentos que iam e vinham para o trabalho. Carlos desceu a rua até a banca de jornal, constatou que ainda estava fechada. Não tinha idéia de que horas seriam, mas sabia que não tardaria para o velho senhor dono da banca aparecer com as novas edições da manhã. Carlos queria estar lá, queria ser o primeiro a procurar em todos os jornais qualquer notícia a respeito do que acontecera, afinal era motivo para primeira página toda aquela confusão. Quase conseguia adivinhar o que seria, linhas largas com letras grandes: Misterioso Acidente no Cinema, ou qualquer coisas que valesse a intenção....

Os terríveis comedores de cabeças

Noite passada tive um sonho aterrorizante. Sempre que estou doente sou vítima dessas quase alucinações que o sono prega. Estava andando por uma rua deserta, por volta da hora do almoço, fazia um sol de meio dia e eu estava com fome quando me aproximei de uma casa bastante bonita, onde um grupo de jovens esperava na porta. Nenhum deles eu conhecia, todos frutos da historinha do meu cérebro. Havia um rapaz loiro que usava óculos, um outro rapaz de cabelos amendoados, um negro, uma garota morena com cabelos bem cheios e uma ruiva com cabelos muito longos. Eles me olharam de uma maneira bastante perturbadora e eu, não sei por que diabos me aproximei. Foi o rapaz loiro quem falou: "Você veio para almoçar? Nós acabamos de comer, mas acho que ninguém se importará se tiver que fazê-lo novamente”. Ele convidou-me a entrar e eu pude sentir ali quase que uma ameaça, portanto, não hesitei em entrar.A casa estava escura e fria, mas não era nenhum pouco assustadora. Era simplesmente uma casa mu...

Crueldade

“Uma manhã você esquece. Acorda cruel.” Nicole matutava concentrada nos desenhos que fazia. O novo projeto era o que tomava-lhe a maior parte do tempo, de modo que Beatriz tornara-se um hiato condensado em telefonemas e almoços rápidos onde se resmungava muito e conversava muito pouco. A frieza de Beatriz sempre fora incontestável, mas era também sua maior fraqueza e agora, mostrava-se estranhamente modificada. A indiferença de Nicole assustava-a de maneira quase gritante. Era como se, aqueles olhos carregassem estampado o maior temor de Beatriz: a auto-suficiência de Nicole. Beatriz não podia suportar a idéia de que Nicole poderia muito bem ser feliz acaso um dia viessem a separar-se. Nicole fora aquela que sempre representara o lado frágil da relação, que sempre carregara a submissão toscamente evidente, e agora passava a perna em Beatriz. A queda era grande. Naquela manhã, Nicole não tomara café e tampouco almoçara, a confusão em suas entranhas saciava qualquer necessidade fisiológi...

"Que tal um beijo, saumensch?"

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Terminei na madrugada de ontem, ‘A menina que roubava livros’. Já fazia um bom tempo que um livro ‘das paradas’ não conseguia convencer-me de seu mérito. Eis um vencedor. A grandeza da leitura está, não no fato de que uma história sobre a Segunda Guerra Mundial sempre vai estar abordando fatos de que, acima de tudo, a vida é muito mais bela do que se pode imaginar e as dificuldades enfrentadas nos anos de 1940 a 1945, propriamente ditos, jamais poderão ser igualadas àquelas que vivenciamos nos dias atuais ou coisa que o valha... Não, a grandeza de 'A menina que roubava livros' está presente em como o autor consegue justificar que a morte pode ser, sem sombra de dúvidas, adorável. Não posso negar que o livro não deixa de ser tocante, dada a narração da vida de Liesel Meminger e tudo aquilo inserido no universo imposto à ela, uma menina órfã numa Alemanha Nazista, mas ele passa longe do moralismo contido em histórias que carregam alguma chamada ‘lição de vida’, por mais que pequ...

Pré-potência

Um mar de cabeças a minha frente. Olhares furtivos, curiosos, mãos entrelaçadas. Garotas fingindo serem mulheres. Mulheres fingindo serem garotas. Rapazes solitários que não demonstram preocupação. Rapazes preocupados demonstrando solidão. Risos, gritos, braços e abraços, truques e confusões. Bolsas coloridas, pequenas, bonitas, feias, grandes, esquecidas. Celulares, fones de ouvido, toda aquela sonoridade camuflada combinada com luzes artificiais e ar condicionado. Um quase antro de depravação, uma extorsão do respeito ao ser humano. Relógios, horários, problemas, dinheiro, soluções. Imaginação, indignação, expectativa, dúvida e convicção. Nomes, renomes. Encontros, desencontros. Atraso, espera, vozes, cores, pedidos, esperanças. Comentários obtusos, palavras vazias, colocações mal fundamentadas. Má interpretação, bons equívocos, mudança de planos. Sarcasmo, euforia e tédio. Um contrabando de informações, questionamentos vagos, passagens inocentes, pseudo-intelectualismo. Reclamações,...