A angústia que me dominava era aterradora, inexplicável. Aquela lembrança me estremecia, causava vertigem. Vertigem essa, que se principiava não no sentimento concreto, mas na acentuação da dúvida. Talvez fosse a vertigem do imaginário do plano. Se assim se passasse, era esperança. Qual a diferença entre esperança e expectativa? Esperança existe ou não existe. Expectativa se cria. Eis tudo. A vertigem era, então, conseqüência da fusão entre ambas, que resultava na angústia. Ironia. Na verdade, lógica. O resultado era um vazio, afinal. As coisas estavam pálidas, opacas, cruéis. O ar estava quente, sufocante, bruto. Tudo em função da lembrança, de imagem, da pessoa. Era como se o mundo girasse, mecânica e ordinariamente de modo que não haveria muito que fazer, senão aceitar. Deslocamento era o que eu sentia e não existiam motivos. Poderia algo tão simples tornar-se tão perturbador? Voltei a dizer: era a dúvida. A vertigem se evidenciava como um som estridente e tribal que aos poucos entr...