Postagens

Mostrando postagens de 2011

Como é que era mesmo?

Mais ou menos assim. Noite fria. Ele estava arrogante. Ela, bonita. Sorrisos dispersos, olhares difusos. Evitavam estar ali, pareciam tentar de uma maneira cruel e insana transportar-se para bem longe, longe um do outro. Era evidente. Isso no caso dele. No dela, era diferente. Foi ele quem começou. -Olha, eu não quero magoá-la ainda mais... Frio e calculista. Ela observou irritada. Qual era a daquele jogo todo? Ele parecia ter pressa, parecia querer distância. Depois de tudo... -Se tem uma coisa que eu não sou, é oferecida. Você não precisa ficar assustado. - Ela interrompeu. Posso ser bem jovem ainda, mas eu bebo, fumo e não sou mais virgem. Se isso vai contra os seus princípios, ou se não é bom o suficiente para você, já não é mais problema meu. Deu-lhe as costas e desatou a subir a rua escura e deserta. Se ele realmente quisesse, viria atrás dela. Ela não podia mais esperar. Por dentro, ardia. Foi o único. O único que ela desejou ardilosamente que a seguisse, que f...

Minha.

Imagem
E lá estava ela. Os olhos fechados, a expressão suave num sono profundo. Aproximei-me lentamente, com passos leves, taciturnos. Aos poucos ela percebeu minha presença. Abriu os olhos com dificuldade por conta da claridade. Contemplou-me sonolenta, a cara amassada de quem dormira um longo e gostoso cochilo. Quase sorria. Sentei-me ao seu lado enquanto ela se espreguiçava com vigor. Aos poucos foi se aninhando junto a mim, natural e carinhosamente. Acariciei sua cabeça, orelhas, seu pequeno corpo. Ela contraiu-se levemente como sinal de aprovação, como sinal de prazer. Seus olhos negros feito jabuticabas oscilavam entre a curiosidade em me observar e a força intransponível do sono. O sol de inverno ia e vinha por entre as nuvens, aquecendo-nos timidamente. Podia sentir sua respiração muito próxima de mim, observar a palidez de seu corpinho refletida na luz solar. Ficamos ali por muito tempo, juntas, enroscadas naquela modorra sonolenta e prazerosa, em meio a carinhos e cochilos. Pude ou...

Abigail.

Quem eram aqueles rostos nos retratos? Quem era o casal em preto-e-branco, aparentemente feliz, sorrindo para a câmera esticados preguiçosos naquele gramado imenso? Quem eram as crianças pequeninas vestidas das mais variadas formas e cores, cujas expressões variavam entre o riso mais sincero e o choro mais sentido? Quais eram todos aqueles lugares estranhos, com céus muito azuis e casas muito bonitas? Onde é que estava naquele momento? De quem era aquele tapete sob seus pés ou mesmo as roupas que estava vestindo? Porque é que havia um silêncio cortante no ar e tantos vasos com plantinhas por todo o quintal? De onde surgiram tantas folhas secas para serem varridas ou mesmo as panelas naquele armário verde claro da cozinha? Como foram colocados aqueles azulejos estampados, formando um mosaico de imagens repetitivas que condensavam-se com todas aquelas toalhinhas de tricot e pratos de vidro marrom. Quando é que viera parar ali? Uma moça bonita sentada no sofá da sala, falava ao ...