Quando o telelfone não toca e a voz da gente falha
Era um dia comum no fim de um mês qualquer e Júlia não queria saber de mais ninguém, só ela já bastava por ela mesma. Os homens são muito complicados em si. Homens no quesito humanidade e não somente as pessoas do sexo oposto. Existir era muito cansativo e a fisiologia dessa existência causava-lhe náuseas. Poderia sentir medo, se quisesse, ou então dor ou solidão, mas ela preferia a abstinência de tudo. Preferia não rezar, não pensar, não sentir sono ou se comunicar. Preferia não dar notícias a ter de encarar tudo e todos por um motivo qualquer. Júlia preferia não vestir roupa alguma a ter de se preocupar com decência ou combinações. Preferia abrir nenhum livro a ter de compreender gramática ou interpretar metáforas. Preferia não se sentar a ter de lembrar que possuía membros dormentes nas laterais de seu corpo. Não importava se era ainda muito jovem ou demasiado madura pra certas idéias e escolhas, já que ela não tinha nenhuma delas: nem idéias, nem escolhas. Júlia preferia naquele mo...