Ensaio sobre como a loucura levou Alice ao abismo
Na lápide dela, num cemitério esquecido ao fundo do sanatório, uma carta esculpida em pedra, com letras desgastadas pelo tempo e pela amargura, iluminadas no clarão de um dia frio daquele mês de inverno, confissão sincera recolhida num breve momento de sanidade meses antes de sua queda fatal: "Conhecer-te foi um deleite. Paixão explosiva, imediata, quase como um raio. Um relâmpago de um amor que exasperava por ser vivido, consumido, que não podia ser contido, que não podia esperar. Necessidade desenfreada para que nossos corpos estivessem juntos, estivessem unidos num só. Minha alma bebia em sua alma a força para seguir em frente, minha visão turvou-se, todos os caminhos pareciam errados a não ser aqueles que me levariam até você. Vejo no que me tornei. Sou um rastro daquilo que um dia fui. Você me tomou tudo, não só o meu coração. Você tomou meu orgulho, meu sono e minha paz. Você tomou meu comedimento, minha disciplina, meus focos. Você deturpou meus sonhos e objetivos. Vo...