Postagens

Mostrando postagens de março, 2016

Esperar e partir.

Passava das onze horas de noite na rodoviária e de longe já era possível ouvir o cricrilar dos grilos que viviam nas árvores ao redor. Poucas pessoas se aglomeravam debaixo de um velho toldo amarelo, desbotado pelo sol e enferrujado pelo tempo. Caia uma garoa fina e chata, daquelas sorrateiras que quando menos se espera, ensopa roupas e malas. Todos procuravam se proteger do granulado d’agua ao mesmo tempo que tentavam não encostar uns nos outros.  “Porque será que as pessoas tem tanto medo do toque?” Pensou Sofia que observava de longe o jeito e a posição do aglomerado de pessoas que aguardava pelo ônibus da meia noite. Ajeitou a mochila nas costas, já fazia algum tempo que a estava carregando e conforme os minutos no relógio aumentavam noite adentro, aumentava também o peso sobre seus ombros. Olhou ao redor, nenhum lugar adequadamente seco para pousar a bagagem e dar folga ao corpo, o jeito era deixar como está. Suspirou. Espreguiçou-se levemente e pôde sentir um leve estralo ...