Quando o telelfone não toca e a voz da gente falha
Era um dia comum no fim de um mês qualquer e Júlia não queria saber de mais ninguém, só ela já bastava por ela mesma.
Os homens são muito complicados em si. Homens no quesito humanidade e não somente as pessoas do sexo oposto. Existir era muito cansativo e a fisiologia dessa existência causava-lhe náuseas.
Poderia sentir medo, se quisesse, ou então dor ou solidão, mas ela preferia a abstinência de tudo. Preferia não rezar, não pensar, não sentir sono ou se comunicar. Preferia não dar notícias a ter de encarar tudo e todos por um motivo qualquer.
Júlia preferia não vestir roupa alguma a ter de se preocupar com decência ou combinações. Preferia abrir nenhum livro a ter de compreender gramática ou interpretar metáforas. Preferia não se sentar a ter de lembrar que possuía membros dormentes nas laterais de seu corpo.
Não importava se era ainda muito jovem ou demasiado madura pra certas idéias e escolhas, já que ela não tinha nenhuma delas: nem idéias, nem escolhas.
Júlia preferia naquele momento não ter um gosto musical definido a ter de sintonizar qualquer estação de rádio ou rodar qualquer disco. Preferia andar descalça a ter de procurar um par de meias e preferia não acender um único cigarro a ter de comprar um maço novo no dia seguinte.
Na verdade, Júlia preferia não preferir nada e só continuar fazendo o que lhe era automático e inevitável: respirar. Quando os olhos cansavam de ficar abertos, ela os fechava por longos minutos, mas sem adormecer: preferia ficar acordada a ter de sonhar ou perder o sono mais tarde.
Os sons da rua invadiam os corredores da casa e aos poucos as luzes naturais morriam para dar lugar às artificiais.
Júlia preferia ficar no escuro a ter de pensar em contas para pagar no final do mês, mesmo sabendo que elas viriam de toda forma. Certas coisas são inevitáveis.
Ela não questionava se o que estava fazendo era certo ou errado, saudável ou mortal, simplesmente preferia não se dar ao luxo de ter uma consciência ou programar grandes revoluções.
Todos estavam fazendo alguma coisa, haveria alguém no mundo que estaria fazendo a parte dela e ainda por cima pecando em excessos, por que perder tanto tempo?
A idéia que Júlia possuía de tempo e espaço era muito vaga naquele momento e ela preferia não se preocupar com a polaridade ou a relação entre essas coisas. Preferia assim.
Ali, em sua posição, com a cabeça pesada e os ombros quentes, Júlia não era mais nada e nem ninguém. Poderia descrever a si mesma como alguém que ignora as obrigações, mas nem mesmo obrigações ela preferia ter, há muito tempo deixara de ter compromissos e deveres.
Júlia não ligava para sua forma física ou o caimento dos cabelos, preferia não ter vaidade alguma a ter de seguir qualquer padrão. Júlia preferia não ter amizades para não sentir saudades e tampouco divagações para não ter ideais.
E era assim, nesse marasmo inconsciente Júlia deixava o dia terminar, preferindo não se preocupar se havia no mundo belezas imensuráveis, oportunidades essenciais, corrupção generalizada, vulgaridade em excesso, capitalismo massificado ou simplesmente falta de ânimo numa tarde qualquer.
Os homens são muito complicados em si. Homens no quesito humanidade e não somente as pessoas do sexo oposto. Existir era muito cansativo e a fisiologia dessa existência causava-lhe náuseas.
Poderia sentir medo, se quisesse, ou então dor ou solidão, mas ela preferia a abstinência de tudo. Preferia não rezar, não pensar, não sentir sono ou se comunicar. Preferia não dar notícias a ter de encarar tudo e todos por um motivo qualquer.
Júlia preferia não vestir roupa alguma a ter de se preocupar com decência ou combinações. Preferia abrir nenhum livro a ter de compreender gramática ou interpretar metáforas. Preferia não se sentar a ter de lembrar que possuía membros dormentes nas laterais de seu corpo.
Não importava se era ainda muito jovem ou demasiado madura pra certas idéias e escolhas, já que ela não tinha nenhuma delas: nem idéias, nem escolhas.
Júlia preferia naquele momento não ter um gosto musical definido a ter de sintonizar qualquer estação de rádio ou rodar qualquer disco. Preferia andar descalça a ter de procurar um par de meias e preferia não acender um único cigarro a ter de comprar um maço novo no dia seguinte.
Na verdade, Júlia preferia não preferir nada e só continuar fazendo o que lhe era automático e inevitável: respirar. Quando os olhos cansavam de ficar abertos, ela os fechava por longos minutos, mas sem adormecer: preferia ficar acordada a ter de sonhar ou perder o sono mais tarde.
Os sons da rua invadiam os corredores da casa e aos poucos as luzes naturais morriam para dar lugar às artificiais.
Júlia preferia ficar no escuro a ter de pensar em contas para pagar no final do mês, mesmo sabendo que elas viriam de toda forma. Certas coisas são inevitáveis.
Ela não questionava se o que estava fazendo era certo ou errado, saudável ou mortal, simplesmente preferia não se dar ao luxo de ter uma consciência ou programar grandes revoluções.
Todos estavam fazendo alguma coisa, haveria alguém no mundo que estaria fazendo a parte dela e ainda por cima pecando em excessos, por que perder tanto tempo?
A idéia que Júlia possuía de tempo e espaço era muito vaga naquele momento e ela preferia não se preocupar com a polaridade ou a relação entre essas coisas. Preferia assim.
Ali, em sua posição, com a cabeça pesada e os ombros quentes, Júlia não era mais nada e nem ninguém. Poderia descrever a si mesma como alguém que ignora as obrigações, mas nem mesmo obrigações ela preferia ter, há muito tempo deixara de ter compromissos e deveres.
Júlia não ligava para sua forma física ou o caimento dos cabelos, preferia não ter vaidade alguma a ter de seguir qualquer padrão. Júlia preferia não ter amizades para não sentir saudades e tampouco divagações para não ter ideais.
E era assim, nesse marasmo inconsciente Júlia deixava o dia terminar, preferindo não se preocupar se havia no mundo belezas imensuráveis, oportunidades essenciais, corrupção generalizada, vulgaridade em excesso, capitalismo massificado ou simplesmente falta de ânimo numa tarde qualquer.
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