Simetrias
Memorial do Imigrante - Exposição em setembro/2007
Longe, longe, longe, longe, longe gritava. Pranto cruel, sufocante, doentio. Onde está?
A alegria dissolvida na monotonia turva, adoçada com virtudes que não se podem ver. Taças de cristal ricamente adornadas pelo linho da toalha branca, a mancha vermelha crescia lasciva, obscena, violenta. O vinho se espalhava, absorvia, impregnava, quase parecia uma flor.
Mãos de marfim que buscam sustento, olhos andrógenos que procuram reflexos em
espelhos, medos, anseios. Lábios rubros em falsas formas, feridos superficialmente,
apodrecendo misteriosamente, emoldurando cantos fúnebres acorrentados.
Estupida razão, grotesca ilusão, sonhos desajustados. Moinhos de vento
que destróem, esperança que corrompe. Morre, morre bela santa,
morre afogada em lágrimas de sangue que escorrem sem cessar.
Sangue feito vinho, vinho feito flor que suja o linho, a alma e a fé.
Idéias cruéis, presságios de insanidade, falta de concordância.
Fotografias, maquinário da saudade. Pungência nos sentidos,
desacato ao interior. Urgência de poder, rebelia adolescente,
solenidades infantis. Adulteração de argumentos,
pensamentos, sensações. Fobias, agonias e
espasmos. Apego ao ordinário,
superstições vis nas
entranhas de um
holocausto
desenhado
em casa.
Perto,
perto, perto,
perto, perto ouvia.
Súplica estridente, corrosiva,
espectral. O que será?Cortinas
emaranhadas em portas apertadas,
pontas desfiadas deslocando espaços
iluminados por focos arrouxeados. Música
dantesca criada à partir de quartos vazios, céus
anuviados. Palco nu, solidão inerente que encontra
cenário. Palavras emboloradas, homenagens esquecidas,
intrigas casuais. Tempo. Tempo, espaço e pausas. Livros empilhados,
roteiros mal adaptados, criações desagregadas, impaciência com a dor. Cordão
umbilical de idéias na forma de forca, dados de muitas faces, facas de muitas pontas.
Mar bravio de segredos inconstantes, ondas mirabolantes, felicidade inventada. A liberdade está nos olhos de quem proclama realidade atada às covas do imaginário, castrada pelos velhos hábitos. Poetas julagando loucos, caminhos bastardos por natureza. Perguntas mal respondidas, avalanche de respostas mal formuladas. Dificuldade em entender que muitas vezes não é bonito, não é profundo, não é profano, não pede, não peca, não busca e nem esconde.Não é arte e nem sentimento. É fato.
A alegria dissolvida na monotonia turva, adoçada com virtudes que não se podem ver. Taças de cristal ricamente adornadas pelo linho da toalha branca, a mancha vermelha crescia lasciva, obscena, violenta. O vinho se espalhava, absorvia, impregnava, quase parecia uma flor.
Mãos de marfim que buscam sustento, olhos andrógenos que procuram reflexos em
espelhos, medos, anseios. Lábios rubros em falsas formas, feridos superficialmente,
apodrecendo misteriosamente, emoldurando cantos fúnebres acorrentados.
Estupida razão, grotesca ilusão, sonhos desajustados. Moinhos de vento
que destróem, esperança que corrompe. Morre, morre bela santa,
morre afogada em lágrimas de sangue que escorrem sem cessar.
Sangue feito vinho, vinho feito flor que suja o linho, a alma e a fé.
Idéias cruéis, presságios de insanidade, falta de concordância.
Fotografias, maquinário da saudade. Pungência nos sentidos,
desacato ao interior. Urgência de poder, rebelia adolescente,
solenidades infantis. Adulteração de argumentos,
pensamentos, sensações. Fobias, agonias e
espasmos. Apego ao ordinário,
superstições vis nas
entranhas de um
holocausto
desenhado
em casa.
Perto,
perto, perto,
perto, perto ouvia.
Súplica estridente, corrosiva,
espectral. O que será?Cortinas
emaranhadas em portas apertadas,
pontas desfiadas deslocando espaços
iluminados por focos arrouxeados. Música
dantesca criada à partir de quartos vazios, céus
anuviados. Palco nu, solidão inerente que encontra
cenário. Palavras emboloradas, homenagens esquecidas,
intrigas casuais. Tempo. Tempo, espaço e pausas. Livros empilhados,
roteiros mal adaptados, criações desagregadas, impaciência com a dor. Cordão
umbilical de idéias na forma de forca, dados de muitas faces, facas de muitas pontas.
Mar bravio de segredos inconstantes, ondas mirabolantes, felicidade inventada. A liberdade está nos olhos de quem proclama realidade atada às covas do imaginário, castrada pelos velhos hábitos. Poetas julagando loucos, caminhos bastardos por natureza. Perguntas mal respondidas, avalanche de respostas mal formuladas. Dificuldade em entender que muitas vezes não é bonito, não é profundo, não é profano, não pede, não peca, não busca e nem esconde.Não é arte e nem sentimento. É fato.

Comentários