O pranto

Ontem quando estava já bem escuro, ela chorou.
Chorou por tudo e por todos.
Uma lágrima para cada um deles, uma lágrima para cada dia vivido até então.
Um choro longo, longo, longo tão longo que logo amanheceu.
Quando o sol já tingia de lilás as paredes do quarto, ela finalmente adormeceu.
Mais tarde quando acordou, era uma nova mulher.
A nova mulher não pertencia mais a ninguém e também não pertencia nem mais a si mesma: ela pertencia ao mundo e, em troca, o mundo lhe pertencia.
Adquirira novos olhos para visualizar esse mundo tão novo e tão seu, e assim sendo, prometeu que jamais encharcaria esses novos olhos com o aguado de um pranto entrecortante numa noite qualquer.
E foi o que ela fez.

Comentários

Johnny disse…
Oh!
Foi você mesma que escreveu?

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