Quando eu era menino (última parte)
Observei com certa sensibilidade aquela minha situação. O pequeno e caro café que havia acabado de tomar por quatro dólares, o interessante chocolate mentolado que o acompanhara e o maravilhoso cigarro que precedera á ambos foram sem duvidas as melhores escolhas para a satisfação dos meus desejos até então. Apesar da interferência sonora causada pela infinidade de carros e pessoas e vozes e passos e celulares ali atuantes, eu podia sentir e ouvir o som do vento que corria gélido esvoaçando árvores e cachecóis.
No céu, a lua em C parecia sorrir para mim, para mim apenas. Dividindo com ela o cor-de-rosa do crepúsculo, algumas estrelas convencidas que lutavam para imporem seu brilho distante ao céu ainda claro de poente.
Apesar do peso dos pacotes e das responsabilidades, eu me sentia leve e se o vento fosse mais ameno, poderia me imaginar flutuar sobre os fios e calçadas daquele mundo de concreto e luzes que era Nova York.
Já não sentia mais saudades de casa ou de qualquer nostalgia que me perseguira semanas antes logo que eu chegara. Pensei por um único instante naquilo que me fora dito. Pensei nas fixações que outrora tivera e em cada perda que sofri em função delas. Respirei aliviado por constatar que os fantasmas que moviam meus arrependimentos finalmente tinham me abandonado. Feliz constatei que o abandono das melancolias do passado fora apregoado e executado por ninguém menos do que eu mesmo. E essa conquista me bastava.
Naquele momento já não tinha mais apegos e frustrações, preocupações ou planos, tampouco tinha futuro e nada daquilo me incomodava. Absolutamente, agora o mundo me parecia deveras emocionante e convidadivo e a solidão se mostrava uma aliada muito fiel e honrosa. O que viria a ser dos próximos dias ou anos já não me interessava. Aprendi que as posses são figurativas, bem como as pessoas. Todas as coisas pertencem ao mundo e o mundo pertence á todos e ao mesmo tempo não pertence à ninguém. por mais que as pessoas nos carreguem ou que carreguemos as pessoas dentro de nós, tudo não passa de uma maneira dramática de fazer oposição á solidão que é tão monstro quanto dádiva.
Eu não sentia mais medo ou apreensão, muito menos sentia pena de mim ali parado na esquina tão movimentada, tão estranha e tão repleta de rostos desconhecidos. Apesar de estar longe de casa, eu finalmente estava perto de mim e constatei que o verdadeiro 'lar' que busquei durante toda minha existência ficava muito mais dentro de mim do que pudera perceber.
Olhei novamente o céu cor de rosa de crepúsculo e constatei que mesmo ali ao lado daquela lua em C ou das estrelas convencidas, na imensidão do universo eu não mais me sentiria sozinho, mesmo se ali fosse minha cova.
Abstive-me das certezas: estava comigo e bastava.
No céu, a lua em C parecia sorrir para mim, para mim apenas. Dividindo com ela o cor-de-rosa do crepúsculo, algumas estrelas convencidas que lutavam para imporem seu brilho distante ao céu ainda claro de poente.
Apesar do peso dos pacotes e das responsabilidades, eu me sentia leve e se o vento fosse mais ameno, poderia me imaginar flutuar sobre os fios e calçadas daquele mundo de concreto e luzes que era Nova York.
Já não sentia mais saudades de casa ou de qualquer nostalgia que me perseguira semanas antes logo que eu chegara. Pensei por um único instante naquilo que me fora dito. Pensei nas fixações que outrora tivera e em cada perda que sofri em função delas. Respirei aliviado por constatar que os fantasmas que moviam meus arrependimentos finalmente tinham me abandonado. Feliz constatei que o abandono das melancolias do passado fora apregoado e executado por ninguém menos do que eu mesmo. E essa conquista me bastava.
Naquele momento já não tinha mais apegos e frustrações, preocupações ou planos, tampouco tinha futuro e nada daquilo me incomodava. Absolutamente, agora o mundo me parecia deveras emocionante e convidadivo e a solidão se mostrava uma aliada muito fiel e honrosa. O que viria a ser dos próximos dias ou anos já não me interessava. Aprendi que as posses são figurativas, bem como as pessoas. Todas as coisas pertencem ao mundo e o mundo pertence á todos e ao mesmo tempo não pertence à ninguém. por mais que as pessoas nos carreguem ou que carreguemos as pessoas dentro de nós, tudo não passa de uma maneira dramática de fazer oposição á solidão que é tão monstro quanto dádiva.
Eu não sentia mais medo ou apreensão, muito menos sentia pena de mim ali parado na esquina tão movimentada, tão estranha e tão repleta de rostos desconhecidos. Apesar de estar longe de casa, eu finalmente estava perto de mim e constatei que o verdadeiro 'lar' que busquei durante toda minha existência ficava muito mais dentro de mim do que pudera perceber.
Olhei novamente o céu cor de rosa de crepúsculo e constatei que mesmo ali ao lado daquela lua em C ou das estrelas convencidas, na imensidão do universo eu não mais me sentiria sozinho, mesmo se ali fosse minha cova.
Abstive-me das certezas: estava comigo e bastava.
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