Minha.
E lá estava ela.
Os olhos fechados, a expressão suave num sono profundo.
Aproximei-me lentamente, com passos leves, taciturnos. Aos poucos ela percebeu minha presença. Abriu os olhos com dificuldade por conta da claridade. Contemplou-me sonolenta, a cara amassada de quem dormira um longo e gostoso cochilo. Quase sorria.
Sentei-me ao seu lado enquanto ela se espreguiçava com vigor. Aos poucos foi se aninhando junto a mim, natural e carinhosamente.
Acariciei sua cabeça, orelhas, seu pequeno corpo. Ela contraiu-se levemente como sinal de aprovação, como sinal de prazer.
Seus olhos negros feito jabuticabas oscilavam entre a curiosidade em me observar e a força intransponível do sono.
O sol de inverno ia e vinha por entre as nuvens, aquecendo-nos timidamente. Podia sentir sua respiração muito próxima de mim, observar a palidez de seu corpinho refletida na luz solar.
Ficamos ali por muito tempo, juntas, enroscadas naquela modorra sonolenta e prazerosa, em meio a carinhos e cochilos. Pude ouvi-la suspirar tranqüila. Sorri com satisfação: essa era a sensação de ter tudo. Tudo o que eu mais queria estava ali: todo o amor do mundo.
Aos poucos me espreguicei, levantei-me com cuidado para não perturbar seu sono. Ela se ajeitou graciosamente, esparramando-se pelo espaço que surgiu na minha ausência.
Pude sentir sua língua quente, sua maneira de demonstrar seu afeto e seu agradecimento por eu estar ali.
Do alto, contemplei fascinada sua expressão. Ela era minha e sempre seria.
Sempre a minha Scully.
O melhor cachorro do mundo:

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