Daquela que já foi sua
Uma terça feira cinzenta.
Experimento a sensação da morte. Talvez dramatizando em excesso, quem sabe? Isso é pessoal, extremamente pessoal, tão suficientemente pessoal que meu desejo é tornar público.
Quando digo morte quero ser obscena, afinal, nada de pungente me afeta, nada violento me domina.
Eis a morte para mim: falta de desconforto. Não dói, não sofre, não amargura, é uma simples irrelevância, uma indiferente sensação, o fato de deixar de existir, apenas.
Estranho que tudo se passou numa terça feira cinzenta, por escolha, unicamente.
Não poderia ser mais cinematográfico.
A arte imita a vida ou é a vida que imita a arte? Eu não poderia supor, não hoje.
É quase como uma canção do Frank Sinatra, ou uma frase de efeito num filme do Stanley Kubrick: contrastante para alguns, para outros casual.
Houve um tempo onde o abalo seria evidente, é claro. Nas atuais circunstâncias, ele é estático.
O que estou querendo dizer? Existem coisas que devemos fazer pessoalmente.
O que será daqui a um mês, dez anos? Poeira, somente poeira.
E pensar que uma palavra seria capaz de pôr fim a tudo, uma atitude tornaria avesso. Pensar? Sei lá.
Começo a entender que eu não sirvo para gostar das pessoas... Aprendi como teoria, que na prática os fatos se distorcem.
É preciso muita concentração, coisa que o tempo não tem me concedido, agora não mais.
Aprendi a aceitar a ausência.
Hoje me acomodo fácil, mas não me contento com pouco, se é pouco que tem, desista ou desisto eu.
Sim, eis uma conspiração de extremos.
Eu poderia refazer meus passos mentalmente, poderia tentar atrair a pena alheia e me despedaçar de uma vez só.
São escolhas e escolhas...
É uma lástima que eu seja tão pouco sensível. Perguntaram-me se eu tinha um coração... Senão eu, quem mais?
Ela me disse fria. Eu queria responder velha. Ambas sabemos, afinal, ainda somos as mesmas, não?
Se errei, é a primeira vez que não pedirei desculpas, e que seja a última.
Se estou partindo, não é difícil encontrar a razão, basta ter um espelho em mãos.
Os homens de lata também cansam, assim como os espantalhos.
Em qual nos encaixamos? Não, não responda.
Vá, vá que eu também já já me vou. É um final bonito.
Nós e essa mania de cinema.
De toda forma, sempre teremos cor em nossos retratos, mesmo que agora estejamos em preto e branco.
Não consigo evitar, estou amando vê-la indo embora, assim como eu amei vê-la chegando, sorrindo, cantado, chorando, gritando, sonhando...
Vou continuar amando, eis a minha maldição.
Me tornei a raposa que perdeu-se nos campos de trigo, por não se lembrar do que fazia lá.
Estou de olho em você, garota.
Àquela que já foi minha.
Experimento a sensação da morte. Talvez dramatizando em excesso, quem sabe? Isso é pessoal, extremamente pessoal, tão suficientemente pessoal que meu desejo é tornar público.
Quando digo morte quero ser obscena, afinal, nada de pungente me afeta, nada violento me domina.
Eis a morte para mim: falta de desconforto. Não dói, não sofre, não amargura, é uma simples irrelevância, uma indiferente sensação, o fato de deixar de existir, apenas.
Estranho que tudo se passou numa terça feira cinzenta, por escolha, unicamente.
Não poderia ser mais cinematográfico.
A arte imita a vida ou é a vida que imita a arte? Eu não poderia supor, não hoje.
É quase como uma canção do Frank Sinatra, ou uma frase de efeito num filme do Stanley Kubrick: contrastante para alguns, para outros casual.
Houve um tempo onde o abalo seria evidente, é claro. Nas atuais circunstâncias, ele é estático.
O que estou querendo dizer? Existem coisas que devemos fazer pessoalmente.
O que será daqui a um mês, dez anos? Poeira, somente poeira.
E pensar que uma palavra seria capaz de pôr fim a tudo, uma atitude tornaria avesso. Pensar? Sei lá.
Começo a entender que eu não sirvo para gostar das pessoas... Aprendi como teoria, que na prática os fatos se distorcem.
É preciso muita concentração, coisa que o tempo não tem me concedido, agora não mais.
Aprendi a aceitar a ausência.
Hoje me acomodo fácil, mas não me contento com pouco, se é pouco que tem, desista ou desisto eu.
Sim, eis uma conspiração de extremos.
Eu poderia refazer meus passos mentalmente, poderia tentar atrair a pena alheia e me despedaçar de uma vez só.
São escolhas e escolhas...
É uma lástima que eu seja tão pouco sensível. Perguntaram-me se eu tinha um coração... Senão eu, quem mais?
Ela me disse fria. Eu queria responder velha. Ambas sabemos, afinal, ainda somos as mesmas, não?
Se errei, é a primeira vez que não pedirei desculpas, e que seja a última.
Se estou partindo, não é difícil encontrar a razão, basta ter um espelho em mãos.
Os homens de lata também cansam, assim como os espantalhos.
Em qual nos encaixamos? Não, não responda.
Vá, vá que eu também já já me vou. É um final bonito.
Nós e essa mania de cinema.
De toda forma, sempre teremos cor em nossos retratos, mesmo que agora estejamos em preto e branco.
Não consigo evitar, estou amando vê-la indo embora, assim como eu amei vê-la chegando, sorrindo, cantado, chorando, gritando, sonhando...
Vou continuar amando, eis a minha maldição.
Me tornei a raposa que perdeu-se nos campos de trigo, por não se lembrar do que fazia lá.
Estou de olho em você, garota.
Àquela que já foi minha.

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