FunPlex


Aos poucos e lentamente (muito apropriado, aliás) eu vou cedendo às maravilhas tecnológicas, não sem um certo receio.
Não sei, tenho uma certa dificuldade de permitir que seja algo extremamente natural como amarrar um cadarço solto ou coisa que o valha (Comparação um pouco banal, mas vá lá).
Na verdade acontece de uma maneira mais ou menos parecida como quando a embalagem do seu shampoo favorito sofre uma mudança de forma e às vezes de cor. A principio você não gosta, acha ridículo e totalmente desnecessário, encontra falhas argumentos para críticas pouco construtivas mas ao mesmo tempo um bocado sinceras.
Passa até a duvidar da eficácia do shampoo, como se a mudança da embalagem influenciasse na sua composição e tudo. É aquela velha história de: 'Pera aí, esse aqui não é o MEU shampoo!', um troço assim como uma rejeição imediata.
Depois de certo tempo (e não precisa, necessariamente, ser tanto tempo assim) você já está habituado a essa nova embalagem e tardiamente chega a ficar extasiado, admitindo que ela consegue ser definitivamente muito melhor desse jeito, mais prática e anatômica em relação à de outrora.
Conclusão: você termina esquecido de que o shampoo já teve outra embalagem.
Grosso modo, assim sou eu quando me deparo com qualquer espécie de nova tecnologia. Isso não quer dizer que eu seja ainda da pior espécie que acredita que o vinil deve ser a única forma de comercialização/reprodução musical ou então que as fitas cassete e os precursores walkman's são os únicos aparelhos realmente dignos até então. Longe disso.
Considero a evolução vinil - CD e mesmo CD - MP3 simplesmente fantástica. Sonhe com uma maneira de poder musicar cada momento propício de seu dia-dia e BOOM ele está lá! Ah, e sem precisar rebobinar nada e nem preocupar-se com lado A/lado B ou coisa que o valha!
É o tipo de coisa que eu aceito muito bem e até me mostro um bocado interessada, no duro mesmo, mas não consigo fazê-lo com uma ligeira pungencia.
Acaso ouço dizer que qualquer banda da atualidade ou não, resolveu não só disponibilizar seu mais novo álbum em CD ou pela internet, mas também em discos long-play, uma grande carga de admiração será somada à banda por minha parte, seja ela qual for.
Isso acontece, talvez, porque cresci desenvolvendo um certo apreço por tudo aquilo que já foi considerado Top de Linha (Bem diria o meu pai) mas perdeu sua vez para um novo Top e tudo.
É como acontece com as fitas VHS, tão subestimadas em relação aos DVD's. O DVD é uma revolução maravilhosa, um estouro mesmo, afinal é possível obter uma qualidade de áudio e imagem cinematograficamente falando nunca sonhada em existir em sua própria casa! Além de todo o baixo custo referente ao fácil acesso de todo o mundo a essa façanha superlegal.
Só que, porra! E as VHS?... Compreende? É um fenômeno mais físico do que psíquico para ser mais exata e eu prefiro, na verdade, nem situa-lo o bastante ou teríamos aqui uma incrivelmente grande e talvez drasticamente monótona dissertação argumentativa a respeito da revolução praticidade versus essência ou mesmo tecnologia versus antigos valores e esse tipo de coisa confusa que você iria acabar tendo que classificar como 'pouco dinâmica', para não dizer 'chata pra burro'.
Voltemos ao ponto inicial.
O ponto inicial é/devia ser, na realidade, o mais recente álbum do B52's o Funplex.
Como já confessei acima, tenho um jeito um pouco mais lento, mas ainda assim totalmente aceitável em aceitar ou lidar com a rapidez do som (literalmente) através da internet e toda essa coisa meio ano 2000 e tal, tal e tal.
O que quero dizer é que quando soube do lançamento do Funplex, precisamente em 24 de março ( no Reino Unido primeiramente), fiquei empolgadíssima, afinal trata-se de 15 anos inteiros sem nenhum lançamento da parte do B52's que está na lista de minhas bandas preferidas, aliás.
Quando fico sabendo do lançamento de um novo disco de alguma banda que me agrada bastante, logo penso em comprá-lo, obviamente. Só que, quando escrevo comprar, devo ressaltar que me vem em mente um comprar manualmente, no caso é uma coisa parecida com o velho ir até uma loja, encontrar o disco numa das prateleiras, ir até o caixa e depois levá-lo para casa (tentando abrir a todo custo o plástico que o envolve enquanto faço o caminho de volta) isso tudo com a possibilidade ainda de disparar o alarme na porta de entrada/saída da loja, caso o vendedor(a) estivesse distraído o suficiente para não removê-lo corretamente ou coisa que o valha.
Claro que, hoje, já me habituei a fazê-lo pela internet, o que é muito mais cômodo e prático, além de rápido e muitas vezes mais barato, além de ganharmos como bônus, uma espera angustiante mas com todo um plano de fundo natalino em relação ao prazo de entrega de tantos dias úteis e tudo (Eu tenho um bocado de rancor aparente em relação à expressão/classificação dia útil, afinal acho incrédulo que o sábado seja considerado um dia inútil por alguma razão), mas voltando ao B52's e ao Funplex, eu estava idealizando a compra do disco antes mesmo de ouvir qualquer faixa, não por ingenuidade, mas por empolgação momentânea.
Outras pessoas, em meu lugar, ao lerem a respeito do lançamento já saberiam perfeitamente onde clicar para obter o álbum completo e ainda por cima gratuitamente. No final das contas eu também fico sabendo como fazê-lo e tudo, mas acaba sendo sempre um pouco mais tardiamente ou algo assim, chego a desconfiar que talvez eu seja um bocado recalcada nesse aspecto, mas ainda tenho lá minhas dúvidas.
Em resumo, baixei o álbum completo semana passada apenas e só fui me lembrar dele na segunda-feira! Não que me faltasse aquela empolgação acima descrita, mas é que eu realmente acabei me esquecendo que ele já estava disponível para ser ouvido em meu computador, grosso modo, não sei explicar exatamente porque isso aconteceu. (Eu sempre acabo fazendo coisas do tipo, vá vendo).
Obviamente que todo o mundo já escutara/possuía o álbum antes de mim nessa altura do campeonato, mas eu não acreditava que tratava-se de um cenário tão drástico quando essa situação apareceu:

Eu, sentada frente ao computador, ouvindo pela primeira vez o novo álbum do B52's. Devo ressaltar também que, antes de qualquer impulso crítico da parte de meus ouvidos e concepções musicais, ocorre uma movimentação involuntária da parte do meu corpo quando este está em contato com algum tipo de música ou alguma canção que o agrade logo de início, como acontece com aqueles brinquedos infantis que geralmente são compridas flores em vasos, usando óculos escuros ou magrelas girafas de pescoços bem longos e pernas finas, que, quando em contato com qualquer tipo de som musical, adquirem um rebolado frenético, mecanicamente engraçado.
A única diferença é que eu não sou muito parecida com essas flores de óculos escuros ou girafas desengonçadas e que talvez o meu rebolado seja um pouco menos frenético, por assim dizendo.
Bem, lá estava eu com meu rebolado quase frenético (aquela coisa um bocado Flash Dance só que dispensando o collant e as polainas) quando minha mãe subiu as escadas e veio em direção ao meu quarto com uma pilha de coisas não identificáveis nos braços, todas elas pertencentes a mim.
Sua expressão estava fechada e ligeiramente cruel (Expressões que você só adquire depois que tem dois filhos e um monte de roupa para lavar. isso soa monstruoso mas é a verdade, sinto dizer), em outros quadros eu ficaria apreensiva mas devo recapitular que neste momento tenho, finalmente, o novo álbum do B52's e todo o meu rebolado.
Já estava pronta para receber uma bronca ou coisa que o valha como "Você larga TUDO por toda parte! esse quarto parece uma ZONA! Olha quanto papel e mimimimimimi..." quando ela pára na porta e diz:

- Nossa! Isso parece b52's!

Há então de minha parte, um sorriso interno e uma ode de superioridade no peito.

- Isso É B52's, mãe. - digo num tom triunfal.

- É novo?

- Sim! Chama-se Funplex, há uns 15 anos que eles não lançavam anda novo! - Respondi com precisão e ainda acrescentei - Saiu esses dias...

- Ah, eu sei. Eu já ouvi.

Fim da expressão triunfal.

- Você já ouviu?

- Sim. Essa primeira música dele, muito parecida com Rock Lobster.

Gelo no estômago. Incredulidade.

- Mas como é que você ouviu?

- Aí no computador... Você já tinha abaixado ele, num tinha?

- É, eu... eu tinha. - Dou-me por vencida.

Frustração. Ok, mãe você venceu!
Não adianta, as pessoas sempre vão acabar ouvindo as coisas antes de mim... Não que isso sugira status nem nada, mas putaqueopariu até a minha mãe?!

Enfim, é isso aí.
Ainda não ouvi o álbum suficientemente para escrever toda uma resenha crítica a respeito das novas faixas e nem acho isso lá muito digno, no duro, mas posso dizer ainda mais do que afirmar que trata-se de um bom álbum.
Não, não consegui considerá-lo tão genial quanto alguns anteriores... Mas tem sua genialidade em peso, pudera, é b52's!
Prova de que o som deles não deixa a desejar nem depois de 15 anos sem novidades.
Dizer que trata-se de uma composição menos festiva e mais madura seria errôneo, as faixas são dançantes e um bocaod inclinadas para a composição eletrônica. Apesar de toda quebra de expectativa, achei 100%.
Chamou-me a atenção a canção Juliet of Spirits.
Cionsiderar bom ou ruim, para mim é irrelevante. Ter de classificar tudo em pólos opostos é muito limitado e trata-se de um modo prático para ser usado somente quando se deseja peneirar uma gama não- intencional de opções desconhecidas para mais tarde haver uma analise qualitativa em menor escala de acordo com um gosto pessoal apenas, tudo isso somente para quem pretende parecer organizado.
caso contrário, é simplista demais.

Eu poderia escrever mais, mas receio que você já deve ter ouvido muito mais do que eu.
Em todo caso, posso ficar descansada, se eu estiver parecendo deveras antiquada no meu modo esquecido de viver nas antenas da tecnologia musical, pelo menos a minha mãe há de me salvar!

Comentários

Lívia Lunardi disse…
Adorei flavinha! =) rs

estou imaginando seu rebolado frenético ao som de B52's...
rsrs

falando em tecnologia...
quer copiar o cd pra mim? rs
bricando...rsrs
bjoo

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