Lá vem a noiva...

O termômetro marcava 27 graus centígrados e já era um bocado tarde para um clima tão abafado.
Não sabíamos se aquilo era vertigem do calor ou então, São Paulo mesmo.
Vindo da Consolação, Tatá e eu reparamos em uma ligeira movimentação em frente à Reserva Cultural.
Infelizmente, não consegui fotografar mais de perto.
A noiva atravessou a Avenida Paulista sendo filmada e fotografada de perto, os homens de preto ergueram a calda do vestido para que esta não fizesse o trabalho das Margaridas.
Ônibus e carros buzinavam e cumprimentavam-na à todos pulmões.
No carro encostado próximo à Fnac, o noivo e a dama de honra acompanhavam-na com os olhos.
Pessoas pensam de maneira curiosa em determinadas situações. Ficamos ali por menos de cinco minutos mas pudemos ouvir os comentários mais mirabolantes que poderiam ser feitos, bem como afirmações:
"Meu Deus! Tem uma noiva no meio da rua! Só nessa cidade mesmo!". Uma senhora elegante disse ào celular quando passou por nós.
"Ah! Estão filmando a novela!". Uma moça com uma saia deliberadamente nula informou ào namorado.
"Acho que ela vai lá na Gazeta...". Supôs um rapaz com um violão e calças estampadas.
"Devem estar fazendo fotos para alguma revista de noivas.". Concluiu uma mulher, vindo da ginástica, à uma outra.
"Gente! Vai ver que ela sempre quis ser atriz mas, infelizmente, teve de abdicar de seu sonho porque engravidou prematuramente e sendo obrigada a casar-se com um homem que não amava o suficiente, por grande pressão de sua família que tem a necessidade e estabelecer um patamar de status e tradição aos olhos da sociedade paulistana e, sabendo que jamais poderia construir uma carreira ou coisa que o valha, pelo menos nos próximos dezoito anos. Transbordante de ódio, angústia e sedenta por vingança, armou-se de uma nanobomba nuclear ultradestruidora e, fingindo estar realizando uma filmagem diferenciada para o vídeo do casamento, invadiu triunfalmente as instalações da Cásper Líbero afim de por fim à sua própria vida e à do filho, explodindo algo que poderia ser similar ao seu sonho despedaçado: o Teatro gazeta, a emissora, a faculdade e, enfim, a própria Reserva... ". Comecei a deduzir mas tive de abandonar a linha do pensamento pois estávamos atrasadas.
No final das contas, a jovem noiva só precisava muito ir ao banheiro.
Trágica é a ordinária realidade em que vivemos.
Comentários
Certa vez, deparei-me com uma noiva na Paulista, esta fotografava em um trecho entre as duas pistas, abraçada com o rapaz. Insipirado pelo filme dos Normais, eu gentilmente gritei algo como "Vadia" ou "Piranha" e segui para trás de um arbusto. Muito maduro.
Em relação à filmagem de O Dia Em Que a Terra Parou, meu deus. Logo o Keanu Reeves?! Não será bom, definitivamente. O Gort será digital mesmo, infelizmente. Não há nem suspeita nessa aposta. Vamos ver como isso será.
E aliás, o filme era moldado em torno da ameaça comunista e tudo. Do que eles falarão? Se for da "ameaça terrorista", será horrível. Assuntos mais políticos ou sociológicos que permanecem atuais estão fora de cogitação, aposto. O que acha?