Almoço conjugal em Los Angeles
- Arthur, eu não sei o que dizer...
- Você sonha alto demais, Norma, não sabe o que quer e precipta-se nas cobranças erradas. O que deseja de mim?
- Eu não desejo nada, querido. Eu simplesmente busco.
- Busca o quê?
- São banalidades, Arthur, banalidades necessárias para que uma mulher como eu sobreviva à um casamento. Nos dias de hoje, estar casado é trancar-se com um monstro entre quatro paredes sem janelas, não precisa ser assim com todo mundo... Eu não acho que precisa.
- E o que é que eu devo fazer para tornar mais agradáveis essas quatro paredes, já que é impossível destruí-las do seu imaginário, suponho.
- Eu não lhe peço nada, a não ser que não faça aquilo que não pretende e nem diga aquilo que não sente. Não é preciso muito mais do que carinho e compreensão Arthur, o desejo é consequencia disto e o amor, fruto da convivência. Dá-me um beijo com ternura antes de deitar-se mesmo que seus intentos sejam os de possuir meu corpo e calar-me com o calor de teu sexo enfurecido. Sorria quando nos encontramos para almoçar, mesmo que para você isso já seja rotineiro. Preste atenção naquilo que falo pelo menos uma vez ao dia e leve-me para jantar com certo prazer e não com a impulsiva obrigação ou essa sua obssessão pela publicidade. Ignore os fatóides que o mundo cria e não permita que tornem públicas as juras que fazemos um ao outro, não precisamos disso para sermos felizes. Enche teus olhos com meu corpo apenas e não procure subjulgar minha ignorancia em determinadas ações e/ou assuntos, deixe de lado essa diferença de idade e de mundos que nos separa, torne rasa essa vala que distancia seu coração do meu.
- E quanto à você?
- Eu?... Eu estarei ao seu lado durante todo o processo do trabalho que vamos exercer juntos e quando chegarmos em casa estarei bastante cansada mas ainda assim disposta a incentivar suas boas idéias da maneira que preferir, caso contrário, se você estiver muito cansado eu irei, serenamente, encolher-me num canto junto à um livro, uma bebida e alguns cigarros e entregar-me aos ardilosos pensamentos de quem se sente só em sua própria casa, porém terei minha redenção interior pois a compreensão precisa existir em ambos. Talvez eu fique melancólica enquanto as horas demorarão à passar e em caso de insônia, tomarei uma ou duas aspirinas ou até quem sabe um bom e velho Valium antes de aninhar-me junto ao teu corpo, já adormecido, no lado esquerdo da cama. Pela manhã, estarei num mau-humor degradante mas por ti meu sorriso estará sempre aberto assim como meu espírito. Alguém tem que ceder à cada momento e isto tem de ser mútuo, eis uma coisa que aprendi comigo mesma e não com meu psicanalista esbanjador - como você costuma chamá-lo.
- Você sempre soube de tudo isso ou se trata de uma experiênci adquirida recentemente?
- O tom de desprezo que você usa me magoa profundamente, Arthur, pra quê tanto desdém com sua esposa? Talvez eu não soubesse tanto quando me casei com Jimmy, eu era muito jovem e nada sabia da vida, preferia brincar com as crianças da vizinhança na rua do que aprontar o jantar, já no segundo casamento prometi à mim mesma que faria as coisas da maneira certa pelo menos uma vez na vida. Eu e Joe nos amávamos muito de principio, sabe, mas tudo seguiu um rumo muito estranho, fuigiu-nos o controle de muitas coisas e nossos esforços - quando não eram nulos - foram tamanhos que nossa paixão não pôde suportar... Não sei porque estou dizendo isso tudo à você, ainda mais dessa maneira tão hesitante, também não sei porque essas lágrimas surgem dessa forma incontrolável... Oh, obrigada, pode guardar seu lenço, eu estou bem por enquanto. Tudo isso é por conta do medo de cometer outra vez um mesmo erro.
- E qual foi seu erro com Joe?
- Acreditei que o sol no inverno não queima, briga de amor não fere, palavra jurada não trai e choro contido não denuncia.
- É esse o seu mundo?
- O mundo? Não, o mundo é fiosiológico demais para o meu gosto.
- Mas o que você verdadeiramente quer, Norma? Sei que não me chamou até aqui para discutir o comportamento humano ou a fisiologia do mundo. Ainda mais num domingo como este onde você poderia estar almoçando com seus ricos e influentes amigos ao redor de uma piscina ou estar sendo paparicada por uma multidão que clama seu nome e enlouquece com suas curvas à mostra.
- Eu quero o divórcio, Arthur.
- Tudo bem, Marilyn, tudo bem.
- Você sonha alto demais, Norma, não sabe o que quer e precipta-se nas cobranças erradas. O que deseja de mim?
- Eu não desejo nada, querido. Eu simplesmente busco.
- Busca o quê?
- São banalidades, Arthur, banalidades necessárias para que uma mulher como eu sobreviva à um casamento. Nos dias de hoje, estar casado é trancar-se com um monstro entre quatro paredes sem janelas, não precisa ser assim com todo mundo... Eu não acho que precisa.
- E o que é que eu devo fazer para tornar mais agradáveis essas quatro paredes, já que é impossível destruí-las do seu imaginário, suponho.
- Eu não lhe peço nada, a não ser que não faça aquilo que não pretende e nem diga aquilo que não sente. Não é preciso muito mais do que carinho e compreensão Arthur, o desejo é consequencia disto e o amor, fruto da convivência. Dá-me um beijo com ternura antes de deitar-se mesmo que seus intentos sejam os de possuir meu corpo e calar-me com o calor de teu sexo enfurecido. Sorria quando nos encontramos para almoçar, mesmo que para você isso já seja rotineiro. Preste atenção naquilo que falo pelo menos uma vez ao dia e leve-me para jantar com certo prazer e não com a impulsiva obrigação ou essa sua obssessão pela publicidade. Ignore os fatóides que o mundo cria e não permita que tornem públicas as juras que fazemos um ao outro, não precisamos disso para sermos felizes. Enche teus olhos com meu corpo apenas e não procure subjulgar minha ignorancia em determinadas ações e/ou assuntos, deixe de lado essa diferença de idade e de mundos que nos separa, torne rasa essa vala que distancia seu coração do meu.
- E quanto à você?
- Eu?... Eu estarei ao seu lado durante todo o processo do trabalho que vamos exercer juntos e quando chegarmos em casa estarei bastante cansada mas ainda assim disposta a incentivar suas boas idéias da maneira que preferir, caso contrário, se você estiver muito cansado eu irei, serenamente, encolher-me num canto junto à um livro, uma bebida e alguns cigarros e entregar-me aos ardilosos pensamentos de quem se sente só em sua própria casa, porém terei minha redenção interior pois a compreensão precisa existir em ambos. Talvez eu fique melancólica enquanto as horas demorarão à passar e em caso de insônia, tomarei uma ou duas aspirinas ou até quem sabe um bom e velho Valium antes de aninhar-me junto ao teu corpo, já adormecido, no lado esquerdo da cama. Pela manhã, estarei num mau-humor degradante mas por ti meu sorriso estará sempre aberto assim como meu espírito. Alguém tem que ceder à cada momento e isto tem de ser mútuo, eis uma coisa que aprendi comigo mesma e não com meu psicanalista esbanjador - como você costuma chamá-lo.
- Você sempre soube de tudo isso ou se trata de uma experiênci adquirida recentemente?
- O tom de desprezo que você usa me magoa profundamente, Arthur, pra quê tanto desdém com sua esposa? Talvez eu não soubesse tanto quando me casei com Jimmy, eu era muito jovem e nada sabia da vida, preferia brincar com as crianças da vizinhança na rua do que aprontar o jantar, já no segundo casamento prometi à mim mesma que faria as coisas da maneira certa pelo menos uma vez na vida. Eu e Joe nos amávamos muito de principio, sabe, mas tudo seguiu um rumo muito estranho, fuigiu-nos o controle de muitas coisas e nossos esforços - quando não eram nulos - foram tamanhos que nossa paixão não pôde suportar... Não sei porque estou dizendo isso tudo à você, ainda mais dessa maneira tão hesitante, também não sei porque essas lágrimas surgem dessa forma incontrolável... Oh, obrigada, pode guardar seu lenço, eu estou bem por enquanto. Tudo isso é por conta do medo de cometer outra vez um mesmo erro.
- E qual foi seu erro com Joe?
- Acreditei que o sol no inverno não queima, briga de amor não fere, palavra jurada não trai e choro contido não denuncia.
- É esse o seu mundo?
- O mundo? Não, o mundo é fiosiológico demais para o meu gosto.
- Mas o que você verdadeiramente quer, Norma? Sei que não me chamou até aqui para discutir o comportamento humano ou a fisiologia do mundo. Ainda mais num domingo como este onde você poderia estar almoçando com seus ricos e influentes amigos ao redor de uma piscina ou estar sendo paparicada por uma multidão que clama seu nome e enlouquece com suas curvas à mostra.
- Eu quero o divórcio, Arthur.
- Tudo bem, Marilyn, tudo bem.
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