Paçoca de Quindim da Iáiá
Minha mãe estava fazendo mousse de chocolate para a festa do Ano Novo de amanhã quando percebeu que, devido à grande quantidade de 'clara em neve' necessária (sempre achei engraçado o termo 'clara em neve'), haveria uma grande quantidade de gemas que não teriam uso.

Fá: Embrenhando-se no mato com muita coragem, o rapaz encontrou logo no início na trilha que fora aberta, um pedaço do vestido de sua namorada. Mais à frente, ele encontrou um dos sapatos que a namorada estava usando.Ainda mais à frente, encontrou o óculos do moço desconhecido.
Dani: Quando voltou para o carro, pôde reparar numa silhueta feminina sentada no capô do carro.
Surgiu então a idéia de fazer-se um daqueles quindins gigantes. Encontramos uma receita bacanuda na internet e foi alegria geral. Não seria a primeira experiência, já haviamos feito antes e pelo que lembrávamos, tinha ficado bastante gostoso.
Possivelmente seria alguma coisa assim:
Nos últimos dias, desde a descoberta do 'estado interessante' de Pícia, coisas bastante proveitosas têm acontecido como, por exemplo, a leve confusão nas Lojas Americanas que teve como pivô, o preço dos DVD's faltantes para a coleção do Hitchcock.
Os preços ambíguos e a desorganização da loja em época de fim de ano, literalmente, nos deram grande oportunidade de atormentar ainda mais os vendedores altamente sobrecarregados com reclamações e afins.
A história disso tudo é bastante longa e com toda certeza mereceria um post digno, por hora vale a pena apenas sedimentar que tudo correu confusamente bem e os devidos filmes saíram pelo gratificante preço promocional de 9,90.
Lá estavamos nós, tinhamos acabado de descobrir que o quindim gigante não poderia ser desenformado nem quente nem frio ou seria destruído, desse modo, estávamos aguardando que ele assumisse uma temperatura inexistente entre o quente e o frio para finalmente degustá-lo.
O ceú anunciou uma chuva muito breve e os relâmpagos e trovões lavaram nossa idéia de assistir à um dos filmes que 'ganhamos' na briga com o gerente das Lojas Americanas (na verdade, um dos filmes que Pícia ganhou devido aos hormônios rebeldes ficarem desvirginalmente mais rebeldes na gravidez).
Aquela situação de impotência tecnológica deixou todo mundo muito desconfortável, mesmo meu pai ficou estranhamente irritado, pois teve de desligar o computador e todo o complexo eletrônico que ele comprou no final de semana e que vinha se divertindo e martirizando com a instalação/funcionamento/manuais e aquela coisa toda.
Na sala, cansados, frustrados e entediados, passávamos por aqueles momentos que acontecem somente em dias de chuva, durante uma viagem de carro ou quando falta energia elétrica...
Na sala, cansados, frustrados e entediados, passávamos por aqueles momentos que acontecem somente em dias de chuva, durante uma viagem de carro ou quando falta energia elétrica...
É em momentos como esses, somente como esses, que surge as mais mirabolantes idéias que a nossa imaginação e criatividade desenvolvida em conjunto, é capaz de criar. Optamos pelo velho lance da história continuada...
Fá: Um casal encontrava-se dentro de um carro já antigo, dirigindo por uma estrada escura e deserta.Já era tarde da noite e o farol alto estava ligado. Por muito tempo assim mantiveram-se, sem dizer uma só palavra dado o temor que a situação impunha.
Dani: Foi então que avistaram um homem parado ao acostamento, totalmente sozinho acenando por uma carona. Talvez por ingenuidade, talvez por caridade, o casal parou o carro e atendeu à solicitação do rapaz desconhecido.
Flá: Não conversaram muito e logo chegaram a um posto abandonado. O rapaz que dirigia o carro constatou que o combústivel estava acabando e estacionou ao lado de uma das bombas de combústivel. O rapaz desceu do carro apreensivo, deixando sua namorada sozinha com o desconhecido.
Pícia: Procurou por alguém no posto e não encontrou viva alma. Ao voltar para o carro, ficou aterrorizado: eles não estavam mais lá. Olhando em volta, o rapaz reparou que no mato próximo à estrada havia um rastro de algo bastante perturbador que, muito provavelmente, teria arrastado a moça e o desconhecido.
Fá: Embrenhando-se no mato com muita coragem, o rapaz encontrou logo no início na trilha que fora aberta, um pedaço do vestido de sua namorada. Mais à frente, ele encontrou um dos sapatos que a namorada estava usando.Ainda mais à frente, encontrou o óculos do moço desconhecido.
Flá: Quando já se distanciara o suficiente da estrada e do posto, ele ficou horrorizado ao deparar-se com uma perna humana. Com o coração saindo pela boca, o rapaz pôde perceber que, na verdade, aquela perna não pertencia à nenhum dos desaparecidos pois ela tinha uma aparência de que ali estivesse há muitos anos.
Dani: Sem saber o que fazer, o rapaz voltou para o carro, encontrou o celular e telefonou para a casa da namorada que desaparecera para informar sua família.Quem atendeu o telefone foi o pai da namorada que reagiu à notícia de uma maneira bastante estranha...
Flá: O homem do outro lado da linha riu e disse que sua filha já tinha morrido há quarenta anos exatamente nessa mesma situação: ela e o namorado estavam dirigindo tarde na noite em uma estrada deserta quando acolheram um desconhecido no carro e foram brutalmente assassinados.
Pícia: Ao desligar o telefone, o rapaz estava atordoado, tão atordoado que precisou sentar-se num tronco de arvore caído. Assim que se sentou, teve um sobressalto: reparou que uma de suas pernas era uma perna mecânica... Isso queria dizer que aquela perna apodrecida que ele encontrara era, simplesmente, perna dele! Correu de volta para o mato e analisou a perna e o tamanho do pé comparando com o seu. Estava certo.
Dani: Quando voltou para o carro, pôde reparar numa silhueta feminina sentada no capô do carro.
Pícia: Pensando ser a sua amada, correu em sua direção mas ao chegar, deparou-se com uma velha desfigurada que murmurava palavras e palavras que ele não entendia, como uma língua desconhecida.
Dani: O nome dessa mulher era Arim*. Ao lado da bomba de gasolina, tinha uma outra velha que reclamava sem parar, também nessa mesma lingua estranha. A outra velha se chama Tia Airam*.
Flá: Na verdade, as duas velhas eram vendedoras de Churros e logo apareceu um homem chamado Tio Ryad* para comer Churros e dar banho em Tia Airam*.
Pícia: Foi então que um porquinho da índia ia passando pela estrada, e a velha Arim* capiturou-o em uma sacola de feira e, usando dotes mágicos e medicinais, reconstituiu a perna mecânica do rapaz com a pele do porquinho da índia.
Fá: Nesse momento, apareceu... CACETE, O QUINDIM!!!
Todo mundo corre para a cozinha.
Moral da história: 

Paçoca de Quindim da Iáiá.
*Nomes alterados para manter a privacidade dos envolvidos.
Comentários
A foto do que teria de ter sido o doce e bastante interessante, porém, falsa.
Pois,o quindim leva coco na receita, sendo assim, ele precisa apresentar uma característica mais rústica, sabe?
A foto número 1 é muito lisa.
A foto número 2 é bem mais real.