
"Que horas são?"
O palco. Um último aquecimento. Troca de olhares. Algumas palhaçadas. Mais palhaçadas. Outras palhaçadas.
Foi-se:
Falsos Diálogos viu a luz da ribalta uma última vez.

Desde a concepção cenográfica, o desenvolvimento do texto, a pesquisa literária, busca pela sonoplastia, preocupação com a poesia contida nas obras abordadas, criação dos figurinos, busca por patrocínio, compra de materiais e expectativas em relação ao trabalho, até o dia de hoje tudo o que conseguimos ver com clareza é o elo de ligação criado entre essas mulheres.
Sem querer, brincamos de entrelaçar a vida de personagens e, no final das contas, acabamos entrelaçando nossas próprias vidas com uma amizade que tem muito mais do que convivência e cumplicidade.

Depois de cerca de nove meses de trabalho, foi no sábado às 18h00 que nos despedimos daquilo que se transformou em mais do que o pretexto de nossos encontros, mas no enredo de nosso cotidiano.

O que a princípio pareceu loucura, uma salada doida que não daria certo de maneira alguma, tomou forma, cor, sentimento e atitude para então explodir em uma realização nossa e somente nossa.

A última apresentação, diferente das demais, foi um espetáculo para as mulheres que somos, sejam elas Sinhá Vitória, Dionora, Brisida, Vidinha, Capitu ou Stefanie, Bruna, Marcelle, Tatiane e Flávia.

Já não havia ali uma quarta parede, nem coisa alguma. O que havia era a contentação em ter chegado ao ponto de tornar imortal uma personalidade, tornar imortal algo que nós todas fizemos nascer.
Foram dias e dias de compreensão, desorganização, brincadeiras, comprometimento, criação e aprendizado. Ensaios e ensaios que traziam novas idéias, novas formações, novas bobagens.
A direção da Rosangela possibilitou, de uma maneira livre e preciosa, a vivência teatral do que acreditamos. Se devemos algo, devemos à ela pois foi de uma idéia moldada por boas mãos que descobrimos a chave de uma licença poética aparentemente inexistente.

Há uma infinidade de coisas pelas quais eu quero agradecer, uma infinidade de outras pelas quais eu quero me desculpar.

Vou sentir falta de mandar tudo ficar bem organi-zado.
Já sinto saudade de vocês me mandando calar a boca.
Bem, gatinhas, nunca pensei que seria tão doloroso assim.
Eu amo vocês.
Comentários
Enquanto não há vejo novamente, contento-me em beber suas palavras.