Banal(idade)
Sabe quando você assim de repente tem vontade de ser outra pessoa?
Você deseja ser o homem bem vestido que viu na fila do banco, chegar em casa e combinar com os filhos de ir ao cinema no próximo domingo.
Ou então a atendente da loja da esquina que vai passar o final de semana na praia junto com as irmãs.
Quem sabe até um cara qualquer que anda de moto o dia todo pela cidade fazendo entregas ou buscando coisas.
Não importa. Você simplesmente gostaria de viver como aquela pessoa por alguns instantes. Só isso.
Não, não é culpa sua. Não é falta de interesse em sua própria vida, ou mesmo qualquer fuga referente a um problema ou obrigação pendentes, é um ato para simplesmente abandonar a rotina por um momento.
A maioria das pessoas sempre parece ser tão decidida naquilo que faz ou que vai fazer. Parece saber exatamente o que quer ou para onde vai, sem nunca hesitar. Eu sou uma hesitação ambulante. E ainda por cima, gosto disso.
Por mais que o ritmo do mundo seja diferente do meu, não está em minhas intimas pretensões aniquilar essa característica assim tão profundamente minha. Talvez seja por isso que estou sempre me atrasando, mesmo tendo me programado intensamente para ocorrer o oposto.
As coisas são como devem ser.
Não que eu esteja infeliz, em absoluto. Nunca tive tantos motivos para ser feliz em toda minha vida, pelo menos aos olhos do mundo.
Percebo então que a verdadeira felicidade é só uma questão de ponto de vista (na verdade eu já sabia disso, mas nem desconfiava que é a mesma coisa na prática).
Ser feliz não é apenas estar satisfeito consigo mesmo e trabalhar para que aconteça também para com o próximo, trata-se apenas de ter em mãos aquilo que lhe agrada, aquilo que lhe proporciona alguma espécie de sorriso interno, alguma música oculta que explode aos poucos, conforme o passar das horas.
Para mim, neste momento, a felicidade é uma soma, uma conjunção significativa de dúvidas, um pouquinho de melancolia e adrenalina, muita adrenalina - coisas das quais eu estou sentindo uma falta danada, mesmo sabendo que quando eu as possuía em excesso, não soube utilizá-las em meu favor.
Acredito que talvez eu seja uma pessoa simplista demais para divagações muito mais profundas. O externo já é uma grande confusão, quem dirá o interno!
Quero apenas viver um dia após o outro sem maiores preocupações. Não quero saber de planos em longo prazo e nem quero construir nada, pelo menos por enquanto. Amanhã é outro dia, outro tempo.
Quero poder ter meu egoísmo por inteiro, sem precisar condenar a mim mesma por isso. Sim, egoísmo. Eu sou, na realidade, o ser mais egoísta que pode existir. Trata-se de um egoísmo doentio e solitário. O fato é: eu preciso de um mundo. Mas não é qualquer mundo de que estou falando, eu preciso de um mundo que seja meu e inteiramente meu, completamente mutável, onde até as pessoas dentro dele sejam como imagens que aparecem e se vão sempre que eu desejar. Eu preciso de um universo particular onde só eu tenha acesso, uma dimensão desconhecida para não dividir nunca com ninguém, seja como for. Preciso disso. Preciso de um espaço gigantesco no vácuo de mim mesma onde eu possa simplesmente me perder para sempre no minuto que desejar e reaparecer no próximo. Preciso ter para onde ir caso o ar me falte e minha individualidade seja invadida por quem quer que seja. Um lugar tão longe de tudo e tão perto de mim onde eu possa realmente provar da liberdade que tanto me custa preservar, tanto me custar tentar (em vão) explicar.
Ou então, se isso é pedir demais, preciso de qualquer lugar onde eu possa sofrer em paz.
Não que eu esteja sofrendo. Por ventura, desconheço o que é sofrimento. Atualmente, se parar para totalizar verei que todas as questões da minha vida pessoal (pelo menos uma parte muito grande da maioria delas) estão tão bem engatadas e resolvidas, que soaria ingrato dizer que existe algum sofrimento que torna pungente os meus dias. Acho então, que é a falta de algum que me angustia. Gente, quanta banalidade!
Não sei porque digo isso. Na verdade, deve ser alguma vontade contida, alguma saudade lacerante ou só falta de ter o que fazer. (Na verdade, desprezo a ultima colocação).
Por exemplo, hoje eu queria um pedaço de torta holandesa, só um pedaço. Pode ser que daqui a um tempo eu passe a detestar torta holandesa, é assim que funciona, não é?
Quem sabe na bolachinha do canto, sabe? Aquela que às vezes vem um pouco murcha por causa da refrigeração ou coisa que o valha, quem sabe se não é ali que está escondida a alegria que de repente eu perdi e não sei onde, não sei quando e também não sei porquê. Quem é que sabe?
Cada um com suas resoluções eu diria,
(só pra parecer otimista).
Você deseja ser o homem bem vestido que viu na fila do banco, chegar em casa e combinar com os filhos de ir ao cinema no próximo domingo.
Ou então a atendente da loja da esquina que vai passar o final de semana na praia junto com as irmãs.
Quem sabe até um cara qualquer que anda de moto o dia todo pela cidade fazendo entregas ou buscando coisas.
Não importa. Você simplesmente gostaria de viver como aquela pessoa por alguns instantes. Só isso.
Não, não é culpa sua. Não é falta de interesse em sua própria vida, ou mesmo qualquer fuga referente a um problema ou obrigação pendentes, é um ato para simplesmente abandonar a rotina por um momento.
A maioria das pessoas sempre parece ser tão decidida naquilo que faz ou que vai fazer. Parece saber exatamente o que quer ou para onde vai, sem nunca hesitar. Eu sou uma hesitação ambulante. E ainda por cima, gosto disso.
Por mais que o ritmo do mundo seja diferente do meu, não está em minhas intimas pretensões aniquilar essa característica assim tão profundamente minha. Talvez seja por isso que estou sempre me atrasando, mesmo tendo me programado intensamente para ocorrer o oposto.
As coisas são como devem ser.
Não que eu esteja infeliz, em absoluto. Nunca tive tantos motivos para ser feliz em toda minha vida, pelo menos aos olhos do mundo.
Percebo então que a verdadeira felicidade é só uma questão de ponto de vista (na verdade eu já sabia disso, mas nem desconfiava que é a mesma coisa na prática).
Ser feliz não é apenas estar satisfeito consigo mesmo e trabalhar para que aconteça também para com o próximo, trata-se apenas de ter em mãos aquilo que lhe agrada, aquilo que lhe proporciona alguma espécie de sorriso interno, alguma música oculta que explode aos poucos, conforme o passar das horas.
Para mim, neste momento, a felicidade é uma soma, uma conjunção significativa de dúvidas, um pouquinho de melancolia e adrenalina, muita adrenalina - coisas das quais eu estou sentindo uma falta danada, mesmo sabendo que quando eu as possuía em excesso, não soube utilizá-las em meu favor.
Acredito que talvez eu seja uma pessoa simplista demais para divagações muito mais profundas. O externo já é uma grande confusão, quem dirá o interno!
Quero apenas viver um dia após o outro sem maiores preocupações. Não quero saber de planos em longo prazo e nem quero construir nada, pelo menos por enquanto. Amanhã é outro dia, outro tempo.
Quero poder ter meu egoísmo por inteiro, sem precisar condenar a mim mesma por isso. Sim, egoísmo. Eu sou, na realidade, o ser mais egoísta que pode existir. Trata-se de um egoísmo doentio e solitário. O fato é: eu preciso de um mundo. Mas não é qualquer mundo de que estou falando, eu preciso de um mundo que seja meu e inteiramente meu, completamente mutável, onde até as pessoas dentro dele sejam como imagens que aparecem e se vão sempre que eu desejar. Eu preciso de um universo particular onde só eu tenha acesso, uma dimensão desconhecida para não dividir nunca com ninguém, seja como for. Preciso disso. Preciso de um espaço gigantesco no vácuo de mim mesma onde eu possa simplesmente me perder para sempre no minuto que desejar e reaparecer no próximo. Preciso ter para onde ir caso o ar me falte e minha individualidade seja invadida por quem quer que seja. Um lugar tão longe de tudo e tão perto de mim onde eu possa realmente provar da liberdade que tanto me custa preservar, tanto me custar tentar (em vão) explicar.
Ou então, se isso é pedir demais, preciso de qualquer lugar onde eu possa sofrer em paz.
Não que eu esteja sofrendo. Por ventura, desconheço o que é sofrimento. Atualmente, se parar para totalizar verei que todas as questões da minha vida pessoal (pelo menos uma parte muito grande da maioria delas) estão tão bem engatadas e resolvidas, que soaria ingrato dizer que existe algum sofrimento que torna pungente os meus dias. Acho então, que é a falta de algum que me angustia. Gente, quanta banalidade!
Não sei porque digo isso. Na verdade, deve ser alguma vontade contida, alguma saudade lacerante ou só falta de ter o que fazer. (Na verdade, desprezo a ultima colocação).
Por exemplo, hoje eu queria um pedaço de torta holandesa, só um pedaço. Pode ser que daqui a um tempo eu passe a detestar torta holandesa, é assim que funciona, não é?
Quem sabe na bolachinha do canto, sabe? Aquela que às vezes vem um pouco murcha por causa da refrigeração ou coisa que o valha, quem sabe se não é ali que está escondida a alegria que de repente eu perdi e não sei onde, não sei quando e também não sei porquê. Quem é que sabe?
Cada um com suas resoluções eu diria,
(só pra parecer otimista).
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