No espelho.
Ela olhou no espelho e contemplou o reflexo de uma mulher linda.
Linda como uma rosa.
Os cabelos lindamente despenteados, os lábios entreabertos, os olhos profundos e a face rósea. Um leve ar de cansaço e de insegurança juvenil na testa. Um arquear de sobrancelhas charmoso. O corpo, como uma construção curvilínea, no limite do excesso.
Porém, tudo aquilo não passava de uma imagem. Dentro, era muito diferente.
Pensou por um tempo o modo com que as mulheres estão sempre insatisfeitas com o que possuem.
O modo com que estão sempre escondendo o pranto por trás do riso histérico.
A paixão que as mulheres parecem ter pela mágoa, pelo rancor, pelo sofrimento.
O poço que as mulheres cavam para se atirarem quando apaixonam-se por algum homem.
O escárnio com que repelem as palavras amigas, criando um universo desconfiado e desiludido.
As estratégias de depreciação que uma mulher cultiva dentro de si.
O ódio mortal que nutrem umas pelas outras, sendo raras exceções quando permitem amizades verdadeiras entre si.
O hábito de dizer o que não pensa e fingir sentir o que não sente.
O pavor de expressar seus sentimentos e a glória em sentir-se independente, quando no fundo, tudo o que querem é que as vejam indefesas.
Os suspiros e soluços que dispensam em seus desejos.
Porque é que elas fazem tudo isso?
Quando foi encontrada, ainda estava linda, como uma rosa, porém, uma rosa pálida e morta.
A resposta ficou escrita naquele mesmo espelho, com batom, mas passou despercebida devido à inundação que vinha da torneira da pia aberta. A água corrente lavou os vestígios que o suicídio deixara em Lara.
Se alguém tivesse prestado atenção, lá estava o segredo:
“As mulheres tem mania de sangrar”.
Linda como uma rosa.
Os cabelos lindamente despenteados, os lábios entreabertos, os olhos profundos e a face rósea. Um leve ar de cansaço e de insegurança juvenil na testa. Um arquear de sobrancelhas charmoso. O corpo, como uma construção curvilínea, no limite do excesso.
Porém, tudo aquilo não passava de uma imagem. Dentro, era muito diferente.
Pensou por um tempo o modo com que as mulheres estão sempre insatisfeitas com o que possuem.
O modo com que estão sempre escondendo o pranto por trás do riso histérico.
A paixão que as mulheres parecem ter pela mágoa, pelo rancor, pelo sofrimento.
O poço que as mulheres cavam para se atirarem quando apaixonam-se por algum homem.
O escárnio com que repelem as palavras amigas, criando um universo desconfiado e desiludido.
As estratégias de depreciação que uma mulher cultiva dentro de si.
O ódio mortal que nutrem umas pelas outras, sendo raras exceções quando permitem amizades verdadeiras entre si.
O hábito de dizer o que não pensa e fingir sentir o que não sente.
O pavor de expressar seus sentimentos e a glória em sentir-se independente, quando no fundo, tudo o que querem é que as vejam indefesas.
Os suspiros e soluços que dispensam em seus desejos.
Porque é que elas fazem tudo isso?
Quando foi encontrada, ainda estava linda, como uma rosa, porém, uma rosa pálida e morta.
A resposta ficou escrita naquele mesmo espelho, com batom, mas passou despercebida devido à inundação que vinha da torneira da pia aberta. A água corrente lavou os vestígios que o suicídio deixara em Lara.
Se alguém tivesse prestado atenção, lá estava o segredo:
“As mulheres tem mania de sangrar”.
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