Sorrisosincerosorrisosincerosorri...
Hoje, no ônibus, pouco antes de descer, num gesto expansivo (como a maioria dos meus gestos costumam ser) e sem querer, esbarrei em uma mulher que estava ao meu lado, de pé, também aguardando a parada do ônibus para descer.
Ela me olhou de um jeito não identificável que poderia sugerir desdém ou censura, eu simplesmente olhei em seus olhos e sorri. Ela sorriu de volta espantada e depois ainda tornou a sorrir quando nossos olhares cruzaram-se novamente. Ela parecia na verdade, agradecida pelo esbarrão, e não rancorosa, como se aquele fosse o primeiro sorriso sincero que teve durante o dia. O meu definitivamente não foi o primeiro, nos últimos anos os meus dias têm sido preenchidos de sorrisos sinceros (alguns pavorosos, mas ainda assim sinceros).
Nesse momento eu pensei em você. Fazia muito tempo que sua imagem não me vinha em mente e eu estava quase chegando ao ponto de sugerir que eu o havia apagado totalmente da minha memória, mas essas coisas só fazemos em filmes ou coisas que o valham.
Foi a primeira vez que me lembrei de você de uma forma doce, sem mágoas ou qualquer outra coisa que o valha em todos esses anos, isso me deixou um bocado feliz.
Se sou o que sou, sou assim por conta de ti e de toda a influência (se é esse o termo que se aplica) que você dispensou em mim sem perceber, com seus gestos e suas colocações.
Sua maneira estranha de pensar e de falar, sua personalidade marcante e complicada, cheia de rasuras que ninguém é capaz de ler. Sua imensidão de problemas e problemas que acarretam em atrasos, prazos, planos, sonhos, um pouco de cafeína, mais atrasos e planos, projetos, um bocado de cafeína, filmes e confusão, para enfim se resumirem num simples olhar profundo ou então num desses sorrisos sinceros que se distribui a esmo dentro de um ônibus ou numa fila de banco e coisas que o valham.
Suas opiniões foram absorvidas por meus poros avidamente, e ouso confessar que nem todas elas me apeteceram de início, apesar de serem, em sua maioria, cúmplices indiretas das as minhas... E as que não eram na época, eu as tornei assim. Pintei uma a uma como as outras (como se fossem, perdoe a alusão desnecessária, rosas brancas no jardim vermelho de um rainha de Copas).
E então, durante todos esses dias e dias, e meses e anos que você me fez falta, que me fizeram falta todas aquelas loucuras e melancolias que eram descarregadas dentro de mim juntamente com adrenalina e um toque de revolta por conta de todas as idas e vindas com ou sem motivos mas sempre com desculpas, pelo menos serviram para que eu olhasse finalmente dentro de mim e percebesse o espelho mágico que aqui se encontra para enfim constatar que foi aí onde o tudo tornou-se nada e o eterno tornou-se fim sem muito tempo para os créditos finais.
Sua imagem refletiu no meu espelho mágico como nada refletira antes, e esse choque energético deve ter causado uma espécie de rachadura nele, o que permitiu esvaziar um pouco de mim e deixar entrar um pouco de você, um pouco que talvez você nem percebeu que perdeu pra mim afinal... E muita coisa mudou.
Talvez você não tenha notado, apesar de ter tido sempre grandes olhos para tudo em mim, mas foi como uma mutação lenta e acelerada que fez com que eu abrisse os olhos para outras direções, conhecesse outros mundos e mudasse valores, conceitos, sonhos, objetivos e principalmente sentimentos. Ah, os sentimentos... Eles sempre foram um problema enorme para você, isso sempre me divertiu.
Eu amadureci. Coisas eu aprendi, tantas coisas que hoje tenho uma bagagem tão enorme que nem sei onde guardar, nem sei como carregar tudo isso sozinha (continuo a ter a mesma altura desde a ultima vez que nos encontramos).
Isso foi o meu crescer. A minha passagem se deu intimamente pelo reflexo da sua presença em minha vida... O que hoje parece uma faísca, no momento presente fora mais do que uma chuva de raios, um curto circuito no meu caminho.
Houve um enorme black out, um black out que durou dias e dias... Meses!
Mas depois, que acabei aprendendo a me virar no escuro, e então num certo dia, Então, quando eu já não pretendia mais me esforçar, quando eu julgava tudo ‘terminado’ para essa minha reação alucinógena livre de drogas, encontrei finalmente as cortinas da janela e quando escancarei e me vi de frente com a luz estava acabado. Aquilo significava um simples começo, o meu começo, finalmente terminara a introdução e eu estava no ‘Era uma vez...’ e agora, era o começo de mim.
Percebi que o sentido das palavras é irrelevante, o que importa é aquilo que acreditamos dentro de nosso coração. Foi a primeira vez que eu acreditei em mim.
E quando fiz isso, pude simplesmente abandonar você e seguir em frente, fazendo minhas próprias escolhas, valorizando os meus verdadeiros gostos, afeições e afinidades. Eu era única, e continuo sendo!
O mundo sorriu pra mim da mesma forma que você e quando eu sorri de volta, porra, foi maravilhoso!
O que houve entre nós foi e ainda é um curto mistério que eu não saberia descrever, mesmo sendo capaz de observar as coisas com tanta clareza hoje em dia.
Ah, aquela clareza que parece absurda quando nossa melancolia é recente e parece ser infinita...
Talvez seja melhor assim.
Todas as coisas que fizemos ainda vivem em mim, mas suas influencias e a degradação que elas causavam em meu âmago agora são nulas, estagnaram no interior das memórias mas não foram capazes de escurecerem nenhuma delas.
Todas as coisas que nunca fizemos, mas que programamos com tanto furor e prazer e todas as outras que nunca faremos, pois nossos mundos caminham em paralelos afastados, por mais que numa mesma lateralidade, jamais irão se cruzar novamente, disso eu tenho certeza, todas elas ainda continuam aqui, mas já não brilham como pareciam brilhar. Tem outra coisa ainda maior e tão cintilante que já não reparo naquelas que ficaram.
Minhas certezas já não são capazes de gerar tristeza ou saudade... Muito pelo contrário, elas tornaram-se simplesmente certezas e estão em seus lugares... Talvez isso seja triste, afinal qualquer alusão poderia ser um vinculo, mesmo que fosse ao ódio.
Os laços já estão desatados há anos e os nós que não desfizemos, eu fiz questão de cortar e voltar ao ponto inicial.
Trabalhoso? Foi, sem dúvidas, mas eu jamais faria diferente, hoje vejo que as coisas são como tem de ser.
O que é mais engraçado nisso tudo, é o modo com qual nossos instintos e intuições se confundem, se contradizem, se perdem num mar de histórias que vão e que vem em relação às pessoas que vamos conhecendo.
A parte estranha, é que eu não o conheci. Não no período em que nossas vidas estavam ligadas aos casos e acasos do mundo. Hoje sim, hoje eu o conheço como ninguém e de longe vejo, que eu jamais poderia tê-lo amado tanto se o tivesse visto como vejo agora: profundamente.
Fora de brincadeira, não tenho em mim sentimentos de culpa ou pensamentos de dúvidas. Eu fiz o que pude fazer em todos aqueles minutos.
Só sei que contigo era assim: os dias não eram medidos em horas, mas no número de passos percorridos, batimentos cardíacos e sorrisos verdadeiros que eram pronunciados.
Isso eu aprendi bem e é o que tenho feito no decorrer do meu caminho.
O ‘meu’ próprio caminho, não mais o ‘nosso’ caminho. Talvez o 'nosso' fora sempre o meu.
Eu procurava respostas sendo que não tinha perguntas e você só tinha respostas. Finalmente sei o que perguntar e muito além, sei pra quem fazê-lo. Uma pena que você, mesmo sabendo todas as respostas, jamais saberá encontrar uma pergunta verdadeira, daquelas que queria saber de coração. Pena.
Obrigada por isso. Obrigada por todos os sorrisos que me obriguei a jogar ao vento. Muito tempo se passou, mas todos eles estão voltando para mim.
Dia após dia.
Ela me olhou de um jeito não identificável que poderia sugerir desdém ou censura, eu simplesmente olhei em seus olhos e sorri. Ela sorriu de volta espantada e depois ainda tornou a sorrir quando nossos olhares cruzaram-se novamente. Ela parecia na verdade, agradecida pelo esbarrão, e não rancorosa, como se aquele fosse o primeiro sorriso sincero que teve durante o dia. O meu definitivamente não foi o primeiro, nos últimos anos os meus dias têm sido preenchidos de sorrisos sinceros (alguns pavorosos, mas ainda assim sinceros).
Nesse momento eu pensei em você. Fazia muito tempo que sua imagem não me vinha em mente e eu estava quase chegando ao ponto de sugerir que eu o havia apagado totalmente da minha memória, mas essas coisas só fazemos em filmes ou coisas que o valham.
Foi a primeira vez que me lembrei de você de uma forma doce, sem mágoas ou qualquer outra coisa que o valha em todos esses anos, isso me deixou um bocado feliz.
Se sou o que sou, sou assim por conta de ti e de toda a influência (se é esse o termo que se aplica) que você dispensou em mim sem perceber, com seus gestos e suas colocações.
Sua maneira estranha de pensar e de falar, sua personalidade marcante e complicada, cheia de rasuras que ninguém é capaz de ler. Sua imensidão de problemas e problemas que acarretam em atrasos, prazos, planos, sonhos, um pouco de cafeína, mais atrasos e planos, projetos, um bocado de cafeína, filmes e confusão, para enfim se resumirem num simples olhar profundo ou então num desses sorrisos sinceros que se distribui a esmo dentro de um ônibus ou numa fila de banco e coisas que o valham.
Suas opiniões foram absorvidas por meus poros avidamente, e ouso confessar que nem todas elas me apeteceram de início, apesar de serem, em sua maioria, cúmplices indiretas das as minhas... E as que não eram na época, eu as tornei assim. Pintei uma a uma como as outras (como se fossem, perdoe a alusão desnecessária, rosas brancas no jardim vermelho de um rainha de Copas).
E então, durante todos esses dias e dias, e meses e anos que você me fez falta, que me fizeram falta todas aquelas loucuras e melancolias que eram descarregadas dentro de mim juntamente com adrenalina e um toque de revolta por conta de todas as idas e vindas com ou sem motivos mas sempre com desculpas, pelo menos serviram para que eu olhasse finalmente dentro de mim e percebesse o espelho mágico que aqui se encontra para enfim constatar que foi aí onde o tudo tornou-se nada e o eterno tornou-se fim sem muito tempo para os créditos finais.
Sua imagem refletiu no meu espelho mágico como nada refletira antes, e esse choque energético deve ter causado uma espécie de rachadura nele, o que permitiu esvaziar um pouco de mim e deixar entrar um pouco de você, um pouco que talvez você nem percebeu que perdeu pra mim afinal... E muita coisa mudou.
Talvez você não tenha notado, apesar de ter tido sempre grandes olhos para tudo em mim, mas foi como uma mutação lenta e acelerada que fez com que eu abrisse os olhos para outras direções, conhecesse outros mundos e mudasse valores, conceitos, sonhos, objetivos e principalmente sentimentos. Ah, os sentimentos... Eles sempre foram um problema enorme para você, isso sempre me divertiu.
Eu amadureci. Coisas eu aprendi, tantas coisas que hoje tenho uma bagagem tão enorme que nem sei onde guardar, nem sei como carregar tudo isso sozinha (continuo a ter a mesma altura desde a ultima vez que nos encontramos).
Isso foi o meu crescer. A minha passagem se deu intimamente pelo reflexo da sua presença em minha vida... O que hoje parece uma faísca, no momento presente fora mais do que uma chuva de raios, um curto circuito no meu caminho.
Houve um enorme black out, um black out que durou dias e dias... Meses!
Mas depois, que acabei aprendendo a me virar no escuro, e então num certo dia, Então, quando eu já não pretendia mais me esforçar, quando eu julgava tudo ‘terminado’ para essa minha reação alucinógena livre de drogas, encontrei finalmente as cortinas da janela e quando escancarei e me vi de frente com a luz estava acabado. Aquilo significava um simples começo, o meu começo, finalmente terminara a introdução e eu estava no ‘Era uma vez...’ e agora, era o começo de mim.
Percebi que o sentido das palavras é irrelevante, o que importa é aquilo que acreditamos dentro de nosso coração. Foi a primeira vez que eu acreditei em mim.
E quando fiz isso, pude simplesmente abandonar você e seguir em frente, fazendo minhas próprias escolhas, valorizando os meus verdadeiros gostos, afeições e afinidades. Eu era única, e continuo sendo!
O mundo sorriu pra mim da mesma forma que você e quando eu sorri de volta, porra, foi maravilhoso!
O que houve entre nós foi e ainda é um curto mistério que eu não saberia descrever, mesmo sendo capaz de observar as coisas com tanta clareza hoje em dia.
Ah, aquela clareza que parece absurda quando nossa melancolia é recente e parece ser infinita...
Talvez seja melhor assim.
Todas as coisas que fizemos ainda vivem em mim, mas suas influencias e a degradação que elas causavam em meu âmago agora são nulas, estagnaram no interior das memórias mas não foram capazes de escurecerem nenhuma delas.
Todas as coisas que nunca fizemos, mas que programamos com tanto furor e prazer e todas as outras que nunca faremos, pois nossos mundos caminham em paralelos afastados, por mais que numa mesma lateralidade, jamais irão se cruzar novamente, disso eu tenho certeza, todas elas ainda continuam aqui, mas já não brilham como pareciam brilhar. Tem outra coisa ainda maior e tão cintilante que já não reparo naquelas que ficaram.
Minhas certezas já não são capazes de gerar tristeza ou saudade... Muito pelo contrário, elas tornaram-se simplesmente certezas e estão em seus lugares... Talvez isso seja triste, afinal qualquer alusão poderia ser um vinculo, mesmo que fosse ao ódio.
Os laços já estão desatados há anos e os nós que não desfizemos, eu fiz questão de cortar e voltar ao ponto inicial.
Trabalhoso? Foi, sem dúvidas, mas eu jamais faria diferente, hoje vejo que as coisas são como tem de ser.
O que é mais engraçado nisso tudo, é o modo com qual nossos instintos e intuições se confundem, se contradizem, se perdem num mar de histórias que vão e que vem em relação às pessoas que vamos conhecendo.
A parte estranha, é que eu não o conheci. Não no período em que nossas vidas estavam ligadas aos casos e acasos do mundo. Hoje sim, hoje eu o conheço como ninguém e de longe vejo, que eu jamais poderia tê-lo amado tanto se o tivesse visto como vejo agora: profundamente.
Fora de brincadeira, não tenho em mim sentimentos de culpa ou pensamentos de dúvidas. Eu fiz o que pude fazer em todos aqueles minutos.
Só sei que contigo era assim: os dias não eram medidos em horas, mas no número de passos percorridos, batimentos cardíacos e sorrisos verdadeiros que eram pronunciados.
Isso eu aprendi bem e é o que tenho feito no decorrer do meu caminho.
O ‘meu’ próprio caminho, não mais o ‘nosso’ caminho. Talvez o 'nosso' fora sempre o meu.
Eu procurava respostas sendo que não tinha perguntas e você só tinha respostas. Finalmente sei o que perguntar e muito além, sei pra quem fazê-lo. Uma pena que você, mesmo sabendo todas as respostas, jamais saberá encontrar uma pergunta verdadeira, daquelas que queria saber de coração. Pena.
Obrigada por isso. Obrigada por todos os sorrisos que me obriguei a jogar ao vento. Muito tempo se passou, mas todos eles estão voltando para mim.
Dia após dia.
Comentários