Inquilinos

Chego do trabalho, começo a fuçar por toda parte em busca do pacote com o refil do Nescafé, que acabou. Não o encontro em parte alguma. Minha mãe aparece na cozinha e fica me olhando por um tempo.

-É tão engraçado...

-O quê que é engraçado, mãe? Caramba, onde é que colocaram...?!

- Vocês...

- Vocês quem? Cara, não tô achando...

- Você e seu irmão... Tá aí no armário!

- Não tá, eu já olhei um milhão de vezes! Que que tem a gente?

- Lógico que tá... Quer ver eu ir aí e achar? Deve tar bem no seu nariz.

- Já falei que não tá!

- Olhou embaixo da pia?

- Olhei e não tá!

-Aposto que não olhou direito!

Abro o armário, olho por toda parte. Não está lá, eu juro que não está.

-Não tá! Ai, será que não tem?

Desespero aterrador.

- Claro que tem! Eu comprei. Deixa eu procurar.

Ela vai até o armário. Não demora dois minutos, encontra. Volta triunfante.

-Aqui, ó. Você parece seu pai!

Expressão de fracasso da minha parte, como é que ela consegue? Não estava lá, é sério!

-Brigada. e o que é que tem eu e o Dani?

- Ah, sei lá, vocês não parecem meus filhos.

- Hein?

Luta para abrir o pacote.

- É! Não parecem sabe? Tá difícil?

- Tá! Me dá uma tesoura, por favor?

Entrega a tesoura. O pacote finalmente é aberto.

- Mas a gente parece que é o quê então?

- Ah, sei lá, umas pessoas que moram aqui.

Sorriso na lateral da boca.

E depois ainda dizem que toda família é igual!

Comentários

Pedro Dias disse…
Mães adoram fazer isso!
Enxergam coisas que só vem.
E ainda põe a culpa nos outros, dizendo que estão cegos.
Deus!

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