É isso aí.

Saudade de ponte aérea noturna no Rio de Janeiro, uma voz conhecida e aquele sotaque arrastado. Vivem dizendo que os cariocas conseguem ser estranhamente insuportáveis.
Quando um deles se torna essencial, como é que é?
No fundo, ninguém é totalmente suportável, garota.

Malditas tarifas telefônicas!

Saudade da sessão das dez, sem preocupação ou compromissos de forças maiores.
Bolo de chocolate bem quente que gruda nos dentes molares e queima o céu da boca. Leite gelado para contradizer todas as ordens maternas afinal, na casa da vó é bem assim.
Na televisão, um jogo de futebol de times regionais. Não importa, a atmosfera é de copa do mundo.

Malditas responsabilidades!

Saudade de brincar com todos os botões coloridos que representam histórias e personagens, cenários inimagináveis.
O cheiro da dispensa revestida com madeira. Patê de atum com cebola picada.Várias xícaras de porcelana.
Pra que é mesmo que serve o pires?
O que é que fazemos quando todo mundo já partiu?

Maldita morte!

Saudade dos dinossauros de brinquedo, blocos de plástico, cabana do Pato Donald, jogos de vídeo game em fitas, leite com toddy e bisnaguinhas com geléia.
Um bate e rebate de palavras pronunciadas com língua presa. Cabelo tigelinha.
Como agir diferente quando tudo o que temos é a partilha da infância?

Malditas namoradas dominadoras!

Saudade de uma ingenuidade nata, capaz de encontrar valor em banalidades.
Humildade exacerbada que rebaixa os conceitos e nos faz acreditar que não há nada melhor do mundo do que competição desnecessária e apego a velhas lembranças e piadas internas.

Bendita ampliação de horizontes!

Saudade de qualquer posição abaixo, qualquer atmosfera subjetiva cujo poder de captação é altamente desenvolvido.
Saudade mesmo de qualquer complicação, qualquer anseio infeliz que atormenta enquanto ensina, cura enquanto sangra.

Bendita impulsão!

Saudade de chegar em casa com a audição danificada, os pés em carne viva e a garganta anulada. O coração pulsante.
Nada importa, estamos entregue a uma noite sem sonhos onde o cansaço não poderia ser mais gratificante ou mesmo merecido.

Bendita irreverência nos planos!

Saudade de topar qualquer coisa. Estar em qualquer lugar a qualquer hora sem maiores sistemas ou contradições. Acordar tarde para ir dormir mais cedo e não estar muito preocupado no fim das contas.
Saber tocar uma única música e achar o máximo.

Malditas caixas de mudança!

Vai dizer que não tem dessas também?
Você é quem sabe.

O meu maior sonho nesse exato momento?
Ficar em casa, de pijama.
Por favor.
Ai ai.

Comentários

Anônimo disse…
Proponho um mundo: n�o ter� capacidade de retirar o maldito, nem seguir� minimamente o bendito.

Ele � bastante simples. Levaremos somente o tempo presente. E, se fizer quest�o minha pequena... Prepararemos, quem sabe, at� o Toddy e as bisnagas com gel�ia (ou outro tipo de alimento que lhe convenha) e voc� poder� ficar de pijamas.

Nada de segredos, nada de complica�es. Grandes emo�es e magn�ficos acontecimentos...

Quando partimos?
Anônimo disse…
ps: o que seriam esses quadradinhos?
Anônimo disse…
Seria bom te ver em casa ás vezes!!!
beijocas!!!!

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