Fora da área de cobertura

Ontem à noite, voltei mais cedo do trabalho por conta da impossibilidade de participar de uma aula devido ao pescoço torcido.
Grosso modo, é o velho clichê da Lei de Murphy. Isso vive acontecendo comigo.
Imagine-se numa semana muito importante, uma semana onde tudo pode acontecer mas nada pode estar relacionado ao seu quadro de saúde, caso contrário as conseqüências poderiam ser no mínimo desastrosas.
A maioria das pessoas prefere não pensar nos riscos e possíveis problemas, portanto, continuam agindo de acordo com seu modo de vida cotidiano o que induz somente a dias corriqueiros sem grandes alterações em seu curso a não ser aquela ansiedade interior. Comigo é ligeiramente diferente.
Eu me conheço o suficiente para ter em mente que, quando é preciso estar por assim dizendo em segurança ou seja lá o termo que se aplica nesse sentido, o universo todo passa a conspirar para que o contrário aconteça, isso simplesmente porque eu começo a prestar mais atenção do que deveria.
É um bocado complicado para ser sincera, mas fora de brincadeira, deve ser algum karma ou coisa que o valha. Não que eu estivesse esperando ficar milionária ou ser chamada para estrelar numa produção hollywoodiana, mas tudo o que eu tinha em mente era: "Ok, vamos tentar não nos matar até sexta feira, por favor", o que definitivamente soou um bocado precipitado ou mesmo falso e contraditório.
Domingo eu sofri um pequeno acidente, na verdade eu mesma me causei o acidente (meias, degraus, pressa e o gancho imaginário que tenho sob os pés - que desarruma tapetes e enrosca em superfícies de todos os gêneros sem motivos aparentes... Sabe como é?)
Foi desesperador! O tipo de coisa que faz você soltar frases martirizantes como "Era só o que me faltava" e até chega a levar-lhe a uma quase redenção ao perigosíssimo "Não poderia ser pior!" ou coisa que o valha.

Em resumo, lá estava eu indo embora mais cedo, com minha tala ou colar (aquela coisa intragavelmente desconfortável que é necessária para manter o pescoço imóvel quando ele sofre algum tipo de lesão e tudo) e meus queridos livros, desenhos, textos e pesquisas ou sei lá o quê que eu ando carregando há semanas e não tive tempo/inspiração para ler devidamente.
Chego em casa como de costume, com fome e enfim, é aquele velho ritual de final de expediente um pouco mais cedo.
Antes de finalmente ir dormir me lembrei que devia programar o celular para não me deixar esquecer de enviar um e-mail ou coisa que o valha na manhã do dia seguinte. Obviamente isso já estava anotado em minha agenda e mesmo em papéis de rascunho estrategicamente espalhados pelos locais com os quais iria me deparar no dia seguinte, mas é sempre válida uma maior precaução.
Vou pegar meu celular na mochila e... ele não está na mochila.
Pânico.
Ok, ele deve estar no bolso de minha calça ou da blusa, não sei. Reviro bolsos, encontro moedas, clipes, balas, papéis, a carteirinha de sócio do Sesc do meu pai... Nada do celular.
Gente, e agora?
Ligo para ele. Caixa Postal. Sim, estava quase sem bateria da ultima vez que eu olhei (quando é que eu vou lembrar de colocar para carregar?)
Caralho, caralho!
Será que eu perdi na rua? Não, não é possível, tem que ser muito burro... Muito burro mesmo ou então muito esquecido! Ah...
Sim, eu havia esquecido-o no trabalho, numa gaveta inclusive, agora me lembro perfeitamente.
Se eu estava pensando que agora entra a parte do suspiro de alívio e o "Ufa! Vamos (tentar) dormir tranquilamente (com esse pescoço filhadaputa)" eu estava muito enganada!
Porra! O meu celular ficou no trabalho... E agora? E AGORA???
MeudeusmeudeusmeudeusMEUDEUS!
O que é que vai acontecer? O que é que acontece agora?

...

Nada.
Ele está sem bateria, numa gaveta, num lugar onde eu estarei logo mais para ser sincera.
Nada vai acontecer.
O máximo que pode acontecer, é alguém me ligar e dar com a caixa postal - o que não vai ser lá uma grande novidade.
É.

Aaah, foda-se!
Apaguei a luz e fui dormir.

Comentários

Pedro Dias disse…
Uma tala. Sim, uma tala linda e branca.
Aliás, bem amiga sua ela ficou por sinal.
Mas afinal, vindo de Flávia, é possível esperar qualquer coisa.
Até comprar um livro em Português de verdade.

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