Good Bye Norma Jeane

Loneliness was tough
The toughest role you ever played
Hollywood created a superstar
And pain was the price you paid
Even when you died
Oh the press still hounded you
All the papers had to say
Was that Marilyn was found in the nude

Há extatos 46 anos, Marilyn Monroe foi encontrada morta em seu apartamento, em Los Angeles.
As causas e hipóteses de sua morte são infinitas, os argumentos são tamanhos e as provas são tão vastas, que a verdade tornou-se mito e para tal, pouco importa o que realmente ocorreu, uma vez que a simples imagem de Norma Jeane, é imortal.



Já faz algum tempo, tenho estudado o assunto. De tudo o que li, vi, ouvi e intuí, não houve uma única vez em que deixei de me comover.
Não se trata de uma estrela do cinema, trata-se antes de tudo, de um ser humano deturpado por sua posição, situação, atitudes e mesmo sua própria fraqueza de espírito.
Não consigo deixar de achar um pouco cretino qualquer coisa que alguém escreva a esse respeito, mas encontrei algumas linhas num caderno de capa vermelha, esquecido na estante do meu quarto e achei-as um bocado dignas de uma publicação.
Não é nada significativo, apenas uma carta endereçada à uma morta.
O texto integral é longo e cansativo, um pouco confuso, grosso modo, portanto, tranascrevi uma singela adaptação, daquilo que pareceu-me mais agradável à leitura no dia de hoje. No dia de hoje.

Eu sei que foi uma longa espera.
Sei também que há de ser uma longa viagem, river of no return.
Como bagagem, só o futuro e uma ou outra boa lembrança. Todo o resto vai ter de ficar no porto.
Há excesso de peso no passado.
Ele não virá, Norma Jeane. O telefone não vai tocar, nem flores vermelhas chegarão pelo correio.
Ele não pode fazê-lo pois ainda não a enxergou, ainda não compreendeu o quanto é que você se importa. Sim, chega a ser desagradável.
Seu sentimentos estão camuflados nas nuvens de sua personalidade corrompida pelos espelhos e holofotes. Não a critico.
Somos até, em algumas partes, muito parecidas: apegamo-nos àqueles que não nos devem nada muito além de breves sorrios e qualquer toque cativo que distancia muito mais do que aproxima. É uma eterna contradição.
Tente, Norma Jeane, tente enxergar além do que os seus olhos vêem, longe do que os olhos dele representam.
O amor é um jogo de azar onde as fichas surgem conforme o tamanho da entrega.
Os perigos aumentam a cada jogada, bem como aumentam-se as fortunas a serem conquistadas.
Nós temos a nossa vantagem, Norma Jeane, aprendemos a blefar desde o início.
Abrace forte a si mesma e busque encontrar um eixo invisível que a colocará em equilibrio com suas próprias ambigüidades e receios. Não tema.
Por mais assustador que tudo possa parecer, nada é tão real quanto você crê.
A situação é tão verdadeira quanto um filme de Hollywood.
O cenário é falso e os diálogos, ensaiados. As expressões são maquiadas antes de tudo e as luzes sao meramente propositais. Nada é por acaso. A repetição é eterna.
No fim do dia, tudo se desmonta e vamos para casa solitários, escondidos em nós mesmos sob um personagem que acreditamos ser.
A alma não é mais do que um bonito figurino: superficial.
Falta-lhe o calor e clamor dos aplausos. Talvez o palco não imortalizasse sua belíssima imagem. Talvez o palco não seria capaz de criar um mito. Mas talvez o palco a salvaria de si mesma.


Por favor, deixe o parapeito aos verdadeiros assassinos.

Comentários

Pedro Dias disse…
Tenho certeza de que Norma Jeane deve estar orgulhosa de você.
É estranho eu falar isso, não sei como um morto tem algum sentimento, mas acredito plenamente que, na brecha que há nisso, ela deve estar orgulhosa sim.
Seu ponto de vista sobre ela é o melhor que já vi sobre qualquer outro: como Humana. Aposto que poucos pararam para vê-la assim.
Enfim, Adeus Norma Jeane.

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