"Que tal um beijo, saumensch?"

Terminei na madrugada de ontem, ‘A menina que roubava livros’.

Já fazia um bom tempo que um livro ‘das paradas’ não conseguia convencer-me de seu mérito. Eis um vencedor.

A grandeza da leitura está, não no fato de que uma história sobre a Segunda Guerra Mundial sempre vai estar abordando fatos de que, acima de tudo, a vida é muito mais bela do que se pode imaginar e as dificuldades enfrentadas nos anos de 1940 a 1945, propriamente ditos, jamais poderão ser igualadas àquelas que vivenciamos nos dias atuais ou coisa que o valha... Não, a grandeza de 'A menina que roubava livros' está presente em como o autor consegue justificar que a morte pode ser, sem sombra de dúvidas, adorável.

Não posso negar que o livro não deixa de ser tocante, dada a narração da vida de Liesel Meminger e tudo aquilo inserido no universo imposto à ela, uma menina órfã numa Alemanha Nazista, mas ele passa longe do moralismo contido em histórias que carregam alguma chamada ‘lição de vida’, por mais que pequena.
O estranhamento causado pelo livro (excluindo o fato de que ele é narrado pela Morte, por assim dizendo) seria, talvez, aquele que Cao Hamburger almejou passar quando dirigiu 'O ano em que meus pais saíram de férias', mostrando drasticamente a inocente visão de uma criança como parte de um conflito considerado "adulto".
Porém, "A menina que roubava livros" consegue ser divinamente mais sincero em suas concepções e muito mais digno no desenvolvimento das personagens envolvidas, trata-se não só de um livro de sucesso, mas sim histórias já vivenciadas por pessoas, muito antes de converterem-se em páginas impressas e uma bonita capa numa livraria.

Acredito que seja praticamente impossível conter as lágrimas que algumas passagens ousam incutir conforme se avança na leitura, mas essa tristeza não está presente devido à piedade que sentimos por Liesel ou qualquer outra personagem, ela simplesmente existe porque está ali, estampada.
Não é preciso nenhuma análise pseudo-intelectual nem nenhum psicologismo exacerbado, pois o livro só consegue ser belo pela dor que expressa.
A profundidade está tão evidente, que deixa de ser o que é para tornar-se rasa.

No final de páginas e páginas, chega-se à conclusão de que a vida de todas aquelas pessoas e da própria roubadora de livros só puderam ser registradas devido às desgraças que ambientaram seu exterior. Numa simples disposição de fatos, vê-se o indiscutível apego à simplicidade dos sentidos, quando os livros podem estar em primeiro plano enquanto uma guerra pinta-se na janela.

Quando imaginamos uma Alemanha cheia de soldados sem pele e judeus sendo açoitados, quase nos esquecemos que ali também existiu uma menina órfã e seu melhor amigo, um acordeonista, um porão gelado, um boneco de neve e uma biblioteca cheia de palavras.
Sutilezas que passaram desapercebidas aos olhos do Füher.

Comentários

Anônimo disse…
Conspícuos comentários sobre este livro, que ainda não terminei de ler.

O livro é totalmente perseguidor, induz que sejamos como Liesel, amantes das palavras.

Genial e elementar ao mesmo tempo.

Como você disse, surpreendentemente tão profundo que chega a ser raso ^__^

Geisekelly = Shanny Parker

http://www.casulo.vox.com
Anna Libório disse…
ah, Olá (:
' A menina que roubava livros ' realmente e uma obra fantastica, um livro lindo q prende o leitor da primeira a ultima pagina.
o titulo da sua postagem me tocou, poxa o Rudy é o meu personagem favorita do livro, "o menino cujos cabelos permaneceram para sempre cor de limoes" *--*



Abraços.
Anônimo disse…
Acabei de ler este título; confesso que a leitura de inicio nao me cativou; não estava me agradando a forma como o autor desenrolava a historia. Mas com pouco fui me comovendo com a simplicidade de uma criança amante das palavras e de um local imaginariamente tão real q dó na propria pele. Achei uma leitura excelente e o q vc disse aqui é a melhor pra este grandioso livro: "surpreendentemente tão profundo que chega a ser raso".
Unknown disse…
Realmente, o início do livro é entediate --'
mas com o tempo Liesel e Ruy começam a amolecer os corações, são definitivamente os dois personagens mais adoraveis, sem falar em Rosa, que tambem é muito cômica :)

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