Ora pois...

Eu e Pedro estávamos em busca de qualquer lugar que vendesse caldo de cana.
No caminho, paramos numa Sebo/Livraria já muito estimada de nossa parte.

- Olá, você tem alguma coisa do "..." ?

- Do "..."?

- Isso, ele mesmo.

- Só um minuto, vou dar uma olhada.

- Tudo bem.

Tempo.

- Olha, eu só vou ter o "...".

- Nossa, jura? E onde é que está?

- Está aqui mesmo.

A vendedora foi até uma prateleira, voltou com o livro nas mãos.
Eu nem acreditei. Gente, que coisa fantástica.

- Quanto custa?

- Oito reais.

- Eu vou levar!

Mal olhei o livro direito. Porra, trata-se de "..." por OITO REAIS!
Paguei o livro. No caminho, folheei-o rapidamente.

- Nossa, Pedro, olha só que edição legal!

- Puxa, é verdade! Você vai ter que me emprestá-la depois. É de 64... E, olha! 12/12 é QUASE no seu aniversário...

- É!!!


Aquela coisa toda de sentir que se tem um grande tesouro nas mãos, um livro raro e maravilhoso de um autor tão singular quanto. Não via a hora de sentar e devorá-lo.
Tentei ler qualquer coisa no ônibus, estava difícil a compreensão. Botei a culpa em todas aquelas pessoas e aquele motorista apressado e ignorante.
Em casa, tranquei-me em meu quarto e entreguei-me à leitura.
Primeiro a dedicatória... Hm, no mínimo perturbadora...
O primeiro capítulo. Um bocado complicado. Ah, deve ser porque é uma edição muito antiga, veja só esses acentos! No final das contas é muito especial.
Segundo capítulo. Nossa, que coisa estranha, que linguagem engraçada... Não é possível. Já li dezenas de coisas do "..." e esse não é o modo com que ele costuma escrever, está chato pra burro e muito deslocado.
Já sei! deve ser o maldito tradutor! Porque é que eu ainda insisto em não ler as obras na língua original? Vamos ver o nome do filha da puta...
Volto para as primeiras páginas. Cadê o nome do tradutor?
Hm... título original, edição, distribuidora... Ai, merda!

- Alô, Pedro?

- Hm, oi?

- Sabe o livro que comprei agora há pouco?

- Sim, o "...". O que é que tem?

- Está em português de Portugal.

- Sério??

- É.

- Duh! Mas como é que você não viu isso quando fomos comprar?

- Ah, estava em português, eu ia imaginar que era em português de verdade?

- Ai, droga.


Assim sou eu com minha ansiedade e impulsão magníficas!
Obrigada e obrigada.

Comentários

Pedro Dias disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro Dias disse…
Como pode?
Era o livro do '...', era perfeito!
Quem diria que o tradutor não teria traduzido pra língua certa?

Pela né...
Mas então, daremos um jeito de obter o '...' de outra forma.
Duh...

Isso é quase tão ruim quanto ouvir uma bandinha de merda acreditando que era The Hives.
Flávia Dessoldi disse…
É, Peter-Boy...
Nós e as nossas intencionais coincidências.
Senão aparentes, com um certo fundo semelhante inegável.

Quando você disse aquilo sobre o The Hives, eu logo imaginei que alguma coisa estava confusa.
Onde há fumaça há geléia de morango, nunca fogo.
Anônimo disse…
ô judiera com a minha pitoca! Vou procurar o outro pra vc tá!
Se eu achar te falo!
beijos

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