Final alternativo - O mistério da Família Cantrakart - parte I
A noite era clara e escura ao mesmo tempo...clara pelo prateado da lua que se refletia no lago do jardim como um espelho e causava uma iluminação natural naquele lugar...Um jardim tão vago, onde se escondiam lembranças por entre os canteiros... Onde risadas silenciadas grotescamente pela súbita frieza da morte estavam guardadas...Guardadas na memória de Alice... Guardada no vazio de seu coração... Nada mais lhe importava. O céu não tinha a mesma cor há anos, e os pássaros não cantavam mais, ela sabia... Mas mesmo assim lutara contra sua própria alma para esconder a ferida e a deixar sangrar lenta e dolorosamente. Por debaixo de tantas saias havia ali um coração, um coração sedento pelo sangue que vinha perdendo durante todo esse tempo. Podia olhar pra trás, afinal seus olhos ainda eram os mesmos... Mas o modo como via as coisas não. O mundo já não mais a inspirava. Viver de nostalgias não lhe era mais confortável... Tudo crescera a um ponto que se tornava insuportável... Desistira de tudo em sua vida, abandonara a todos que um dia verdadeiramente amou e continuava amando, nada mais lhe restava. Nem mesmo a consciência. Aquela que fora sua maior inimiga durante todos esses anos. Aquela responsável por todas as suas dores interiores, as intermináveis noites de insônia... Os piores pesadelos.
Não bastava mais estar ali... Chegara a um ponto onde a escuridão dos pensamentos e insolência das atitudes não tinham mais fim.
Mirou uma última vez aquele lago prateado, sentia a dor pungir em sua alma ao fazê-lo. Fugira desse momento sua vida toda. Agora não precisava mais fugir...Mas era tarde, tarde demais para pensar nisso. Ah se houvesse ali alguém para impedi-la...
Sentiu-se fraca, sentiu nojo de si mesma, nojo de tamanha atitude, mas não podia mais se dar ao luxo de sentir nojo ou tampouco qualquer tipo de coisa...Não podia mais se dar ao luxo de sentir.
Fora fundo demais... Chegara a hora de repensar seus atos, reiniciar finalmente... Tantos anos perdidos!
E a dor crescendo em seu peito... O medo, o medo novamente dominando-a e o desespero. Desespero do qual chegara às raias do inconseqüente...E assim aconteceu.
Alice apanhou a corda que Víctor esquecera pendurada na janela. Atou braços e pernas. Um último olhar para aquele castelo no hoje tão sombrio, mas em algum lugar do ontem vivo e alegre. Apenas uma lágrima para despedir-se. Um suspiro e pulou.
Os olhos fechados, a sensação de que finalmente se livraria de todo aquele peso. O vento em seus cabelos uma última vez, o barulho das ondas e um baque surdo. Água por todos os lados.
Na manhã seguinte encontraram um corpo às margens do porto principal. Afogou-se! – Foi o que alguém disse. Afogou-se nas ondas do penhasco. Porém poucos saberiam que, sim ela se afogara... Mas não nas ondas daquele mar. E sim nas ondas de sua solidão.
As palavras de Isadora ecoaram uma última vez ao longe..."Não temos um final feliz..." ela disse... "Porque nunca teremos fim”. E ali jazia o corpo há muito sem vida da mais velha das irmãs Cantrakart.
A vastidão dessa história, de duas vidas moldadas pelo destino, perdeu-se no tempo...E ali adormeceu...E jaz adormecida. Adormecida enquanto espera que os ventos a tragam de novo. E com um novo sentido, elas possam recuperar o tempo perdido.
Nada é o que parece.
Não bastava mais estar ali... Chegara a um ponto onde a escuridão dos pensamentos e insolência das atitudes não tinham mais fim.
Mirou uma última vez aquele lago prateado, sentia a dor pungir em sua alma ao fazê-lo. Fugira desse momento sua vida toda. Agora não precisava mais fugir...Mas era tarde, tarde demais para pensar nisso. Ah se houvesse ali alguém para impedi-la...
Sentiu-se fraca, sentiu nojo de si mesma, nojo de tamanha atitude, mas não podia mais se dar ao luxo de sentir nojo ou tampouco qualquer tipo de coisa...Não podia mais se dar ao luxo de sentir.
Fora fundo demais... Chegara a hora de repensar seus atos, reiniciar finalmente... Tantos anos perdidos!
E a dor crescendo em seu peito... O medo, o medo novamente dominando-a e o desespero. Desespero do qual chegara às raias do inconseqüente...E assim aconteceu.
Alice apanhou a corda que Víctor esquecera pendurada na janela. Atou braços e pernas. Um último olhar para aquele castelo no hoje tão sombrio, mas em algum lugar do ontem vivo e alegre. Apenas uma lágrima para despedir-se. Um suspiro e pulou.
Os olhos fechados, a sensação de que finalmente se livraria de todo aquele peso. O vento em seus cabelos uma última vez, o barulho das ondas e um baque surdo. Água por todos os lados.
Na manhã seguinte encontraram um corpo às margens do porto principal. Afogou-se! – Foi o que alguém disse. Afogou-se nas ondas do penhasco. Porém poucos saberiam que, sim ela se afogara... Mas não nas ondas daquele mar. E sim nas ondas de sua solidão.
As palavras de Isadora ecoaram uma última vez ao longe..."Não temos um final feliz..." ela disse... "Porque nunca teremos fim”. E ali jazia o corpo há muito sem vida da mais velha das irmãs Cantrakart.
A vastidão dessa história, de duas vidas moldadas pelo destino, perdeu-se no tempo...E ali adormeceu...E jaz adormecida. Adormecida enquanto espera que os ventos a tragam de novo. E com um novo sentido, elas possam recuperar o tempo perdido.
Nada é o que parece.
Comentários
Sabe, acredito que alem de começo e final, ela terá um desenvolvimento perfeito.
Acreditamos em você!